Juiz admite que chama o ICE para réus indocumentados em Ohio

Robert Ruehlman disse que chama o ICE mais de 10 vezes ao ano, quando ele desconfia que o réu está ilegal no país: “Nunca me enganei”, disse o juiz que atua na Justiça comum

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Juiz admite chamar o ICE para indocumentados (Foto Reprodução WLWT)

O juiz Robert Ruehlman, de Cincinnati, Ohio, admite que chama o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) pelo menos dez vez ao ano para réus indocumentados. Segundo o jornal The Washington Post, ele chama a imigração se ele percebe que o réu fala espanhol ou outro idioma.  

A polêmica começou quando, na semana passada, ativistas denunciaram que imigrantes estar sendo presos na Corte do condado de Hamilton, onde o juiz, que é do Partido Republicano, atua. 

O juiz explica seu critério. “Não é baseado em racismo, apenas senso comum. Eles falam espanhol, estão respondendo processo por tráfico de drogas e é muito claro que estão no País de forma ilegal. Se for o caso de eles serem cidadãos americanos, não causei nenhum dano a ninguém”, afirma o magistrado. 

Em casos como esse, em que ele suspeita que o réu seja imigrante indocumentado, ele coloca uma fiança alta e avisa o ICE, para que eles cruzem os dados e mantenham o réu sob custódia para que seja deportado. “Eu ainda não denunciei ninguém que não fosse imigrante ilegal”, disse o juiz ao Cincinnati Enquirer. 

Ele não é juiz de imigração e atua ja Justiça comum. O chefe da Corte onde Ruehlman atua disse não saber que ele faz contato com o ICE, mas também não disse que tomaria nenhuma providência para impedir. “Eu acho que problemas com a imigração devem ser resolvidos entre o réu e o governo. Eu nunca chamei o ICE para ninguém, nem sei o número deles”. 

A ativista de imigração Nancy Sullivan se revoltou com a postura do juiz e disse que esse tipo de atitude impede que os imigrantes indocumentados denunciem quando são vítimas de crimes por medo do sistema. “Eu não acho que criminosos devem circular livres, mas em nosso sistema, todos são inocentes até que a culpa seja comprovada no tribunal”.