Júri rejeita pena de morte para o atirador de Parkland, que pega prisão perpétua

Nikolas Cruz, hoje com 24 anos, tinha 19 anos quando chegou de Uber na Marjory Stoneman Douglas High School, carregando um rifle semiautomático AR-15 e matou 14 estudantes e três funcionários

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Nikolas Cruz durante audiência no Tribunal de Broward (foto: Reprodução Local10News)

O júri formado por 12 pessoas- sete homens e cinco mulheres – não chegou à unanimidade para condenar à morte o jovem Nikolas Cruz, de 24 anos, que ficou conhecido como ‘o assassino de Parkland’. Por não haver unanimidade na pena de morte, Cruz foi condenado nesta quinta-feira (13) a cumprir prisão perpétua sem direito a liberdade condicional pela execução de 17 pessoas no dia 14 de fevereiro de 2018 na Marjory Stoneman Douglas High School, Flórida. Ele tinha 19 anos quando chegou de Uber na escola a qual havia sido expulso, carregando um rifle semiautomático AR-15 comprado legalmente e matou 14 estudantes, três funcionários, e feriu várias pessoas.

Para chegar à decisão final, os jurados tiveram quase três meses de audiências na corte de Fort Lauderdale. O resultado frustrou os promotores do caso, que queriam a pena capital. “A sentença apropriada é a morte”, declarou Michael Katz, um dos acusadores, que insistiu na natureza premeditada do crime. A defesa do réu, entretanto, alegou que ele sofre de transtornos mentais.

Melisa McNeill, principal advogada de defesa do acusado, disse que a mãe do assassino era alcoólatra e bebeu excessivamente durante a gravidez, provocando um distúrbio chamado déficit do espectro alcoólico fetal, o que “o colocou em um caminho que levou ao tiroteio”. “Estava condenado desde o útero”, declarou McNeill.


Antes de iniciar as deliberações, ela disse ao júri: “Um dia eu prometo a vocês que vocês se perguntarão se tomaram a decisão certa? Vocês nunca irão esquecer de ter votado pela vida.”

A juíza Elizabeth Scherer leu os 17 formulários de veredicto ao proferir a sentença- um para cada vítima – diante de um tribunal lotado com os familiares dos mortos visivelmente emocionados. A maioria disse à imprensa ser a favor de uma sentença de morte para o atirador. Muitos deles compareceram todos os dias do julgamento sabendo que, independentemente do resultado, suas famílias foram devastadas.

CORREÇÃO: Uma versão anterior desta matéria informava equivocadamente que o júri decidiu por unanimidade condená-lo à prisão perpétua. Na verdade, o júri não foi unânime para a pena de morte, que somente pode ser aplicada caso haja unanimidade na decisão.