Uma decisão do juiz federal Vince Chhabria autorizou o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) a acessar informações administrativas de beneficiários do Medicaid, programa público de saúde destinado a pessoas de baixa renda. De acordo com a CBS News, pela decisão, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos poderá fornecer dados considerados não clínicos, como nome, endereço, data de nascimento e informações de contato. A permissão não inclui prontuários médicos, diagnósticos ou histórico de tratamentos, que continuam protegidos por leis federais de privacidade.
A medida provocou reação imediata de autoridades estaduais e organizações de defesa dos direitos civis. Governadores e procuradores-gerais afirmaram que a iniciativa pode criar um efeito intimidatório, levando famílias imigrantes a evitar hospitais e clínicas por medo de deportação. Entidades médicas e especialistas em saúde pública alertam que isso pode resultar em piora nos indicadores de saúde, aumento dos atendimentos emergenciais e maior custo para o próprio sistema.
Segundo a Justiça Federal, o compartilhamento limitado de informações é necessário para reforçar a aplicação das leis migratórias e permitir a identificação de pessoas que estariam vivendo no país sem autorização legal. A argumentação é que, nos termos atuais, o repasse de dados administrativos não fere a legislação de proteção à saúde, desde que informações sensíveis permaneçam resguardadas.
Especialistas em saúde pública afirmam que esse cenário pode resultar em agravamento de doenças, aumento da procura por atendimentos emergenciais e custos mais elevados para o sistema de saúde. Historicamente, o Medicaid foi concebido para garantir atendimento em situações essenciais, independentemente do status migratório, especialmente em emergências médicas e no cuidado de crianças.
Com informações da CBS News.
