Líder do grupo extremista Proud Boys é condenado a prisão

Morador de Miami foi sentenciado a cinco meses de cadeia por ligação com os ataques violentos ao Capitólio e destruição da bandeira do movimento Black Lives Matter

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Líder dos Proud Boys Henry “Enrique” Tarrio Jr. (foto: Reprodução NBC6)

Henry “Enrique” Tarrio Jr., de 36 anos, que mora em Miami e tem descendência cubana, foi condenado a cinco meses de prisão por conexão com atos violentos organizados pelo grupo extremista Proud Boys, do qual é líder.

A sentença proferida nesta segunda-feira (23) pela Superior Court of the District of Columbia, acusa Tarrio de ter queimado uma bandeira do movimento Black Lives Matter e transportado munição de alta capacidade para Washington dias antes da invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro.

O grupo se posicionou em favor do ex-presidente Donald Trump nas acusações sem provas de que a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020 foi fraudada.

Mesmo que o réu não estivesse na capital no dia do ataque ao Capitólio, o juiz considerou que sua conduta contribuiu para o atentado contra a democracia nos EUA.

“Sr. Tarrio intencionalmente e orgulhosamente cruzou a linha do protesto e reunião pacífica para a conduta criminosa, perigosa e potencialmente violenta ”, disse o juiz Harold L. Cushenberry Jr.

A bandeira do Black Lives Matter queimada pelo ativista pertencia pertencia à igreja Asbury United Methodist Church.  Em uma correspondência enviada ao juiz antes da sentença, o pastor da igreja disse que o incidente com a bandeira traumatizou muitos de seus fiéis e trouxe de volta “visões racistas, a Ku Klux Klan e queima de cruzes”.

Tarrio pediu desculpas e se disse arrependido pelos seus atos:  “Naquele dia cometi um erro grave, um erro muito, muito grave”, disse por meio de uma videoconferêncua em sua casa em Miami. “Eu gostaria de me desculpar profundamente por minhas ações”, acrescentou.

Segundo uma matéria publicada pela Reuters, o líder dos Proud Boys tem um passado como informante de autoridades federais e municipais, tendo atuado repetidamente sob disfarce depois que foi preso em 2012 por revender dispositivos médicos roubados. 

Como informante, ele teria ajudado investigadores a identificar dezenas de pessoas em casos envolvendo tráfico de drogas, jogos de azar e contrabando de seres humanos.

O grupo de extrema direita Proud Boys foi criado em 2016 e tem representações em diferentes estados americanos. Formado por homens que na maioria das vezes usam roupas pretas e amarelas, eles têm como plataforma ideológica a defesa das armas, da família e as políticas anti-imigrantes, entre outras.