Maduro anuncia aumento do salário mínimo na véspera de greve geral na Venezuela

O reajuste do salário básico inclui os aposentados e é o quarto aumento do salário mínimo desde o início de 2016

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Venezuelanos protestam contra Maduro
Venezuelanos protestam contra Maduro

O presidente da Venezuela Nicolás Maduro anunciou, na quinta-feira (27), o aumento de 40% do salário mínimo no país. O anúncio é feito na véspera de uma greve geral convocada pela oposição para esta sexta-feira (28) para pressionar para a retomada do processo de convocação de um referendo que pode tirar o presidente do poder.

“Decreto e vou assinar 40% de aumento integral do salário mínimo legal dos trabalhadores”, disse Maduro em um ato público de entrega de moradias.

Esse montante, de 90.911 bolívares ($137,8), inclui o salário – que sobe 20% até chegar a 27.091 bolívares – e um adicional de alimentação, de 63.720 bolívares, de acordo com a agência France Presse.

O reajuste do salário básico inclui os aposentados e é o quarto aumento do salário mínimo desde o início de 2016, em meio ao clima de tensão pela escalada da oposição para tirar Maduro do poder por meio de um referendo revogatório.

Maduro garantiu que as empresas que pararem suas atividades sofrerão uma intervenção do governo. “Não vou duvidar, nem vou aceitar nenhum tipo de conspiração. Empresa parada, empresa recuperada”, advertiu o presidente, que enfrenta uma crise econômica agravada pela queda do preço do petróleo. A commodity é responsável por 96% das divisas do país.

O salário mínimo aumentou 454% em 2016, destacou Maduro, ressaltando que essa cifra está “muito acima da inflação”.

O índice oficial de inflação não é divulgado pelo governo desde o final de 2015. No ano passado, chegou a 180,9%, o mais alto do mundo. Para 2016, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta inflação acumulada de 475%.

Tensão política

A Venezuela vive um momento de alta tensão política após a suspensão, pelo poder eleitoral, do processo liderado pela opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) para submeter Maduro a um referendo revogatório de seu mandato, que termina em 2019.

A partir da decisão do poder eleitoral, o Parlamento, que tem maioria opositora, aprovou no domingo uma resolução que considera o freio ao referendo o auge de um “golpe de Estado” do governo. Na sessão, que foi interrompida por manifestantes pró-governo, os parlamentares também anunciaram que formalizarão uma denúncia no Tribunal Penal Internacional (TPI) contra os juízes regionais e os reitores do Conselho Nacional Eleitoral, classificados como os “responsáveis” pela suspensão do processo.