Mãe do Iêmen chega aos EUA para ver filho pela última vez

Governo americano concedeu visto humanitário à mãe que, por ser iemenita, não poderia entrar nos EUA

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Mãe chega para visitar filho à beira da morte nos EUA
Mãe chega para visitar filho à beira da morte nos EUA

A mãe do Iêmen que conseguiu visto humanitário para visitar o filho em estado terminal na Califórnia aterrissou nos Estados Unidos para ver o filho à beira da morte. O governo americano concedeu a Shaima Swileh uma exceção ao banimento de cidadãos de vários países muçulmanos depois que o pai do menino fez um apelo emocionado na televisão americana. As informações são da Reuters e jornal O Globo.

Abdullah Hassan, de 2 anos, é cidadão americano como seu pai e sofre de uma rara doença genética que afeta o cérebro. O pequeno é mantido vivo por aparelhos em um hospital de Oakland, na Califórnia. Sua mãe, Shaima Swileh, não podia visitá-lo em função do veto do presidente americano, Donald Trump, a visitantes de seis países de maioria muçulmana, incluindo o Iêmen.

Após o apelo do pai do menino comover o país, a embaixada dos Estados Unidos no Cairo emitiu um visto para Shaima, que tem vivido no Egito. Ela chegou a São Francisco na noite de quarta-feira (19), segundo o Conselho para Relações Americanas-Islâmicas, grupo de direitos civis que prestou assistência à família.

“Este é o dia mais feliz da minha vida”, disse o marido da iemenita, Ali Hassan, em comunicado. “Isso nos permite chorar (a perda do menino) com dignidade”.

Hassan explicou que está pronto desde semana passada para autorizar o desligamento dos aparelhos hospitalares que mantém o filho vivo. Os médicos lhe garantiram que a condição do menino é terminal. A mulher, no entanto, só recebia mensagens automáticas do governo americano quando pedia o visto às autoridades.

O Conselho para Relações Americanas-Islâmicas lançou uma campanha que, segundo a entidade, reuniu 15 mil e-mails para autoridades eleitas e milhares de tuítes.

O avô de Abdullah disse que a iemenita chorava todos os dias por querer ver o filho “pela última vez”.

Diante das críticas ao veto dos cidadãos de países muçulmanos, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Robert Palladino, expressou empatia pelo caso “muito triste” da família da iemenita. Ele ressaltou, porém, que a concessão de vistos precisa ser analisada caso a caso, de acordo com as leis dos EUA.

Por ela ser natural do Iêmen, ela não pode tirar visto para vir para os EUA. Essa ordem executiva foi assinada pelo presidente Donald Trump em março de 2017 e impede a entrada de cidadãos de seis países de maioria muçulmana. São eles: Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.