Mais de três mil hondurenhos iniciam caravana rumo aos EUA

Os imigrantes responderam a uma convocação pela internet para iniciar o caminho até os EUA

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Em 2018, inúmeras caravanas saíram de San Pedro Sula e enfrentaram os militares e policiais mobilizados por Donald Trump na fronteira México (foto: CNN)
Em 2018, eles saíram de San Pedro Sula e enfrentaram os militares e policiais mobilizados por Donald Trump na fronteira México (foto: CNN)

Mesmo com as ameaças de covid-19, mais de três mil imigrantes de Honduras iniciaram na quarta-feira (30) à noite uma caravana em direção aos EUA, em busca de melhores condições de vida.

Segundo informou a agência AFP, membros da Cruz Vermelha registraram 1,2 mil pessoas em um primeiro grupo e quase duas mil em outro. Os migrantes caminhavam pela margem da rodovia em direção à fronteira com a Guatemala.

A Cruz Vermelha, entregou medicamentos e mapas para orientar a travessia.

“Nós não pensamos na pandemia, esta é a última coisa que alguém pensa. Queremos seguir adiante com a família”, declarou à AFP Jefrey Amaya, de 20 anos, que chegou ao terminal rodoviário com um grupo de jovens procedente da comunidade de El Negrito, departamento de Yoro, a 20 quilômetros de San Pedro Sul

“Vamos em busca do sonho americano, ninguém vai nos parar. Aqui, ou morremos de Covid-19 ou morremos de fome. Os governos não fazem nada para gerar empregos”, disse Miguel Artiga, de 27 anos.

A mobilização começou pela internet e as expectativas de adesão eram baixas.

“Sabemos que (na viagem) podemos perder uma mão, um pé ou a vida. Você arrisca tudo sem saber se vai conseguir atravessar a fronteira do México para os Estados Unidos”, admitiu Jefrey.

Desde outubro de 2018, uma dezena de caravanas de mil ou mais pessoas, e outras com centenas de migrantes, saíram de San Pedro Sula e enfrentaram os militares e policiais mobilizados pelo presidente Donald Trump na fronteira com o México.

Salvadorenhos, guatemaltecos e mexicanos se uniram aos grupos no caminho e as caravanas chegaram a reunir dezenas de milhares de pessoas, a grande maioria frustrada pelas patrulhas de fronteira.

Segundo o governo do presidente Juan Orlando Hernández, até 27 de setembro foram deportados 31.022 hondurenhos, a maioria do México e dos Estados Unidos.