Mark Zuckerberg presta depoimento no Senado e na Câmara dos EUA

CEO respondeu sobre vazamento de dados de usuários e o que a empresa tem feito para proteger a privacidade das contas

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Mark Zuckerberg considera que manter as contas do presidente abertas traria risco de mais violência (FOTO: US Senate Committee on the Judiciary)

O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, depôs por mais de dez horas, se contados os dois dias – terça e quarta-feira –  em audiências no Senado e na Câmara dos Estados Unidos garantiu que preservar a privacidade dos usuários da rede social é prioridade. O CEO do Facebook teve de explicar como a rede social reagiu ao vazamento de dados de 87 milhões de pessoas pela consultoria política Cambridge Analytica e afirmou que a empresa vai investir em medidas para proteger os dados de usuários da rede social.

Em seu discurso de abertura na Câmara, o deputado Frank Pallone demonstrou que os questionamentos podem ser mais incisivos do que os feitos pelos senadores e adiantou que o esforço do Congresso americano em ouvir o CEO do Facebook não pode ficar apenas no discurso.

“O Facebook se tornou uma plataforma para pressão de eleitores, com pouca ou nenhuma supervisão”, afirmou o deputado Frank Pallone. Ele acrescentou que, dada a extensão dos dados coletados por empresas como a rede social, é preciso criar uma regulamentação que amplie a proteção à privacidade de usuários.

“Se nós fizermos essa audiência e nada acontecer, então não teremos cumprido nada. Eu já vi isso muitas vezes: temos audiências e nada acontece”, afirmou Pallone.

Zuckerberg afirmou, na primeira parte de seu depoimento, que a Cambridge Analytica não foi banida em 2015. Ele disse que a empresa estava, sim, na plataforma na ocasião e não foi banida. “Foi um erro não ter banido”, disse.

Ele disse também que, quando soube que a Cambridge Analytica não havia deletado os dados de 87 milhões de usuários anos atrás, o Facebook não notificou os afetados porque “nós consideramos isso um caso encerrado”. E ainda respondeu que nenhuma pessoa da empresa foi processada devido ao escândalo.

“Esse episódio (Cambridge Analytica) claramente nos machucou e evidentemente tornou mais difícil para nós alcançar a nossa missão social. Nós agora temos muito trabalho para reconstruir uma confiança”, disse Zuckerberg.

Ele também disse que a empresa está fazendo investimentos para reforçar a sua segurança, o que vai “impactar significativamente a rentabilidade no futuro”. “Proteger a nossa comunidade é mais importante que maximizar nossos lucros,” disse.

Entenda o caso

O Facebook está sendo acusado de vazamento de dados que supostamente teriam sido usados pela empresa de consultoria britânica, contratada pela campanha presidencial de Donald Trump em 2016.

“Nós temos a responsabilidade de proteger seus dados [dos usuários], se não pudermos, não merecemos atendê-los”, declarou.

A consultoria é acusada de ter usado dados de cerca de 80 milhões de usuários do Facebook e ter influenciado eleições nos EUA de maneira indevida.  A companhia obteve as informações em 2014 e utilizou os dados para desenvolver uma aplicação que “previa e influenciava decisões dos eleitores”, segundo reportagens publicadas pelo jornal The New York Times e pelo Canal britânico 4. Segundo as reportagens, a consultoria também poderia agir em eleições na Índia e este ano no Brasil. (Com informações do G1).