Médico de Brasília é acusado de deformar rostos de pacientes

Mais de trinta pessoas acusam o médico de má-conduta

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Rosto do empresário Alexandre Garzon atendido pelo médico Wesley Murakami
Rosto do empresário Alexandre Garzon atendido pelo médico Wesley Murakami

Pelo menos trinta pacientes de Brasília (DF) relatam ter ficado com o rosto deformado pelo médico Wesley Murakami, que já foi condenado a indenizar uma mulher que denunciou o mesmo problema. As vítimas contam que foram convencidas por ele a fazer a bioplastia, com a promessa de um resultado perfeito. As informações são do G1.

Uma das vítimas é uma professora que preferiu não se identificar. Ela declarou ter procurado o médico em 2014 para reduzir marcas de espinha, mas saiu do consultório convencida a fazer a bioplastia – injeção de uma substância para mudar a forma do rosto ou do corpo. Pagou R$ 5 mil.

“Eu fiquei deformada, fiquei com vergonha de ir para a escola. Colocava cabelo na frente. As pessoas me olhavam estranho e cada vez que eu tinha que me comunicar, porque eu tinha que lecionar, o meu rosto inchava mais, e aquilo me incomodava horrores.”

Em 2012, o empresário Alexandre Garzon procurou o médico na clínica dele, em Taguatinga, para tratar as marcas das espinhas. Também foi convencido de que a bioplastia traria o resultado esperado. A substância usada, o polimetilmetacrilato, também deixou o rosto dele deformado.

“Quando eu vi o resultado, que eu olhei no espelho, o meu rosto estava gigantesco. Dá para ver nas fotos ai. Ele me deu até uma máscara para poder ir embora, e meu rosto ficava de fora da máscara, de tão grande.”

Ele pagou R$ 7 mil pela cirurgia, mas entrou na Justiça, que condenou o médico em 2014 a pagar indenização por danos morais. Até agora, no entanto, Alexandre não recebeu os valores.

O médico é alvo de processos éticos nos conselhos regionais de medicina do DF e de Goiás. Vítimas procuraram a polícia para denunciar os casos, ainda investigados como lesão corporal culposa.

Caso o médico seja processado no Conselho Federal de Medicina, passará por julgamento ético-profissional e, se for condenado, poderá sofrer as penas que vão desde a advertência confidencial até a cassação definitiva do registro profissional.