Mesmo com a pandemia, mais de 7,6 mil brasileiros foram detidos ao tentar entrar ilegalmente nos EUA em 2020

A cifra é quase 5 vezes maior do que o registrado em 2018

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94% dos brasileiros usam a fronteira com o México para entrar ilegalmente nos Estados Unidos (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)
(foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

DA REDAÇÃO – Mesmo em ano de pandemia, 7.621 brasileiros foram detidos pelos serviços de imigração americanos enquanto cruzavam as fronteiras terrestres dos Estados Unidos sem documentos.

 Os dados sobre brasileiros detidos no ano fiscal de 2020 (entre outubro de 2019 e setembro de 2020) foram obtidos na última quarta-feira (14) pela BBC News Brasil. 

Embora seja uma cifra menor em relação a 2019, quando o número de brasileiros detidos pelo Department of Homeland and Security (DHS)  superou os 18 mil, um recorde, o número de 2020 é quase 5 vezes maior do que o registrado em 2018, quando 1,6 mil cidadãos do Brasil foram apreendidos nas fronteiras.

Em 2020, 94% dos brasileiros detidos nessa situação por autoridades americanas foram encontrados nos arredores da fronteira com o México, especialmente em El Paso (Texas), que em 2019 já se mostrava a principal rota ilegal de acesso de brasileiros ao país.

Para chegar à fronteira, parte desses brasileiros teve de driblar as dificuldades de viajar em meio à pandemia de coronavírus e encarar um aumento significativo das restrições dos americanos aos viajantes em geral.

Embora seja ainda muito inferior ao contingente de migrantes do México ou da América Central, o fluxo de brasileiros indocumentados passou a preocupar autoridades americanas no final do ano passado. 

Segundo Mark Morgan, o chefe do Controle de Fronteiras no país, traficantes de pessoas passaram a ver no Brasil uma população interessante a explorar, dado o aumento na dificuldade de levar ao país nacionalidades mais visadas pelas medidas restritivas do governo Trump.

Por isso, desde o fim de janeiro de 2020, o governo americano incluiu cidadãos do Brasil em um protocolo de segurança criado em 2019, que remete automaticamente de volta para o México migrantes indocumentados encontrados pelo serviço de fronteira.

 Assim, os brasileiros teriam que esperar por meses em território mexicano pela resposta a um eventual pedido de asilo ou outros procedimentos migratórios americanos.

Antes, brasileiros recebiam uma ordem para se apresentar ao juizado de imigração em uma certa data, mas eram liberados para aguardar no território americano. Na prática, parte desses migrantes jamais comparecia ao juizado. A mudança aconteceu apenas cinco dias antes de Waldir Ferreira da Silva fazer sua travessia pela fronteira entre o México e o Texas, com a mulher e a filha de 14 anos do casal.

Detido pela imigração, ele esperava poder enfrentar um processo de deportação em solo americano. Seu plano era ir até a Carolina do Norte, onde sua rede de contatos garantia que ele já teria emprego certo e poderia acumular um bom dinheiro, ainda que meses mais tarde fosse expulso dos EUA.

Não foi o que aconteceu. Como não quis voltar para o México, Silva e a família passaram 16 dias presos pelo serviço de fronteira, até serem embarcados em um voo direto para Minas Gerais. Assim, eles se tornavam parte de um outro protocolo adotado para restringir a entrada de cidadãos do Brasil nos EUA: a deportação sumária.

Desde o fim de 2019, o governo brasileiro passou a aceitar que os EUA fretassem voos para remeter ao Brasil cidadãos detidos na fronteira com o México de maneira expressa, sem esperar o processo de imigração ou de asilo. Esse tipo de deportação, em que brasileiros não têm o direito de se apresentar ao juizado, não era adotada pelos americanos desde 2006. Com informaçõs da BBC.