Carlos Wesley Esportes

Messi sai celebrado, mas CR7 não merecia manchar sua despedida

Os dois maiores jogadores da atual geração dividiram o futebol mundial por 20 anos e vivem capítulos finais opostos em suas seleções

Messi e Cristiano Ronaldo agora buscam o milésimo gol de suas carreiras (Foto: Wikimedia)
Messi e Cristiano Ronaldo agora buscam o milésimo gol de suas carreiras (Foto: Wikimedia)

Depois de duas décadas, a rivalidade entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo talvez esteja chegando ao último capítulo. E, desta vez, não vamos discutir quem foi o melhor ou o mais decisivo. O objetivo deste texto é reconhecer que os dois maiores jogadores da atual geração merecem despedidas de suas seleções à altura do que representaram para seus países e para o esporte em geral. O argentino já teve uma… o português ainda pode ter a dele, mas parece que vai sair pela porta dos fundos.

Os deuses do futebol resolveram escrever finais bem diferentes para as duas histórias gigantes, que chegam ao mesmo ponto agora em 2026. Nesta semana, diante de mais de 85 mil torcedores no Monumental de Buenos Aires, Messi se despediu da seleção em uma noite desenhada para homenagear o maior jogador da história do futebol argentino (será difícil encontrar quem ainda acha que Diego Maradona ocupa este posto). Aos 39 anos, o “Pulga” encerrou uma trajetória de 21 anos com a camisa azul e branca: 208 partidas e 126 gols, além de dois títulos da Copa América e, principalmente, a Copa do Mundo de 2022. Na vitória por 3 a 0 sobre Benin, ele balançou as redes em um pênalti e participou dos outros dois gols. O roteiro foi perfeito – e não poderia ser diferente, já que Messi devolveu à Argentina o protagonismo internacional.

Já do outro lado do mundo, Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, resiste ao anúncio de que está deixando a seleção portuguesa. Apesar de afirmar que continua disponível para defender as cores de seu país, o momento atual está longe da celebração que envolveu o seu maior rival, desde os tempos da Espanha (Barcelona x Real Madrid). Há poucos dias, o atacante abandonou a concentração da equipe comandada pelo técnico Jorge Jesus, após um desentendimento com o treinador. Falou em “promessas não cumpridas” por parte da comissão técnica, e teve que ouvir de volta que “as regras na seleção são iguais para todos os atletas, sem privilégios”.

CR7 é o maior artilheiro da história das seleções, com 146 gols em 234 partidas por Portugal. Foi campeão europeu em 2016 e conquistou duas Ligas das Nações. Por isso, independentemente de quem tenha razão no imbróglio, ele não merecia que sua história recebesse essa mancha justamente próximo à despedida.

Todos nós nos acostumamos a fazer comparações entre o argentino e o português, ao longo da carreira de ambos: um foi abençoado com o talento nato, o outro se transformou em uma máquina que transformava cada desafio em combustível; um era acusado de não ter muita personalidade, enquanto o outro, de ter personalidade demais. E, no final das contas, talvez a maior diferença entre os dois tenha aparecido agora – Messi ganhou o direito de escolher como gostaria de ser lembrado pela Argentina e foi celebrado por isso, ao passo que Cristiano precisa tomar cuidado para que os últimos capítulos de uma carreira extraordinária não sejam lembrados mais pelo conflito com um treinador do que pelos gols e títulos. Que bom que ainda teremos mais algumas oportunidades de acompanhar essas duas feras atuando por seus clubes, Inter Miami (EUA) e Al Nassr (Arábia Saudita), já que os dois perseguem a marca do milésimo gol.


DROPS

  • O desempenho dos gaúchos na Série A é o retrato da decadência do futebol brasileiro: um estado que já conquistou 19 títulos de Copa do Brasil, Brasileirão, Libertadores e Mundial de Clubes (somando as conquistas de Grêmio, Inter e Juventude), corre o risco de um vexame sem precedentes na história, pois a dupla Gre-Nal está na zona de rebaixamento. Neste fim de semana, o Gre-Nal nº 455 está sendo chamado de “confronto dos desesperados”. Para se ter uma ideia, o clube que está mais próximo de jogar a Série A em 2027 é o Juventude, que lidera a segunda divisão e pode garantir o acesso à elite nas próximas rodadas.
  • Continuo achando que uma das explicações dos sucessivos fracassos da Seleção Brasileira em Copas do Mundo é a falta de intercâmbio com equipes da primeira prateleira durante o ciclo entre mundiais. Nesta Data Fifa, Carlo Ancelotti e seus comandados atravessaram o mundo para três amistosos contra Austrália e Índia, que ocupam, respectivamente, as posições 26 e 138 do ranking. Na próxima Data Fifa – entre 9 e 17 de novembro – um dos adversários será a poderosa Singapura, que está no 148º lugar do ranking e nem sabe o que é uma Copa do Mundo. Por outro lado, as seleções europeias, claro que beneficiadas pelas características geográficas do Velho Continente e pela própria força do futebol naquela região, jogaram clássicos emocionantes e de alto nível nestas últimas duas semanas: França x Bélgica, Holanda x Alemanha, Portugal x Noruega, Itália x Turquia, Inglaterra x Espanha, só para citar alguns confrontos da Liga das Nações da UEFA. Estamos há quase três décadas sem levantar uma taça relevante… e não vejo luz no final do túnel.
Ancelotti já não é mais uma unanimidade à frente da Seleção Brasileira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
Ancelotti já não é mais uma unanimidade à frente da Seleção Brasileira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
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