Miami contrata profissionais para conter a infestação das pitons birmanesas

Cobras prejudicam o ecossistema do Parque Everglades e candidatos às vagas vêm até do Irã

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Estima-se que há mais de 100 mil pitons em Everglades (foto de Susan Jewell, - USFWS)

A proliferação das cobras pitons birmanesas na região fez com que o condado de Miami-Dade fosse buscar ajuda profissional para acabar com o problema. Para tanto, colocou anúncio de emprego oferecendo vagas para os interessados no trabalho de “agente removedor de pitons” – e mais de 2.600 candidatos enviaram seus currículos, inclusive um homem do Irã, que vibrou com a oportunidade de conseguir o emprego dos sonhos.

A infestação destas cobras no sul da Flórida, em especial no Parque Nacional do Everglades, tem causado problemas sérios. O maior deles é a alteração na cadeia alimentar e no ecossistema, já que pequenos mamíferos como porcos selvagens, guaxinins, coelhos e cervos estão sumindo do mapa por causa da ação predatória das serpentes. Em algumas partes do parque, houve uma redução de até 90% destes animais. Estima-se que há mais de 100 mil destas espécies em Everglades, e o número não para de crescer. Em julho deste ano, foi capturada um piton birmanesa de quase cinco metros que estava junto a 50 ovos.

O salário de “agente removedor de pitons” não é muito atrativo: 15 dólares/hora, por um contrato de um ano, sem benefícios médicos. Mesmo assim, os interessados apareceram de várias partes do mundo, entre eles um canadense, que disse possuir experiência em caçar ursos. O iraniano citado acima é Mohammad Asghari e, acredite, é engenheiro elétrico em seu país. Ele possui dezenas de cobras em casa, que fazem parte de sua atividade paralela, para garantir uma renda extra no fim do mês. “Eu entendo o comportamento destas cobras e sempre sonhei em trabalhar com isso”, explicou Mohammad em sua aplicação à vaga. Ele estaria disposto a se mudar imediatamente para o sul da Flórida com a mulher e duas filhas, caso seja selecionado.

O assunto é tão sério, que Miami-Dade triplicou seu orçamento anual, agora em cerca de um milhão de dólares, para tratar do problema crescente das pitons birmanesas. Rory Feeney, chefe do departamento de recursos terrestres do condado, será o encarregado de selecionar os profissionais para as 50 vagas. “Nossa preferência é por residentes da área, que se preocupam com o Everglades”, disse Feeney. Em resumo, estatisticamente é mais fácil entrar em Harvard do que se tornar um agente de remoção de piton. Mas se você tinha interesse em tentar, aqui vai um aviso: infelizmente as inscrições para o programa já foram encerradas.