“Michelle nunca será candidata à presidência”, diz Obama

Em entrevista à revista Rolling Stone, presidente diz que primeira-dama é "muito sensível" para a política, e fala sobre a derrota Democrata em novembro

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Barack Obama promete longas férias à primeira-dama Michelle depois de passar o cargo em 20 de janeiro

DA REDAÇÃO, COM ROLLING STONE – O presidente Barack Obama disse em uma entrevista recente à revista ‘Rolling Stone’ que a primeira-dama Michelle “jamais se candidatará à presidência’. “Ela é a pessoa mais talentosa que eu conheço. Você pode comprovar isso com a incrível ressonância que ela recebe do povo americano. Mas brinco dizendo que ela muito sensível para a política.”

Na entrevista, Obama diz que depois de passar a chave da Casa Branca para Trump pretende “dormir por umas duas semanas” e levar “Michelle para merecidas férias.”

“Depois disso pretendo passar o primeiro ao escrevendo um livro e organizando meu centro presidencial, que vai justamente focar na necessidade de preparar e emponderar a próxima geração para a liderança”, disse Obama à RS.

Segundo o presidente, que deixa o cargo no dia 20 de janeiro de 2017, quando assume o presidente eleito Donald Trump, um dos maiores desafios para ele e seus companheiros Democratas será recapturar o voto da classe trabalhadora branca que foram para ele nas duas eleições anteriores – mas que não foram para Hillary Clinton.

“Acho que isso se deve em parte à nossa falta de habilidade para conquistar esses eleitores de forma eficiente”, disse. “Parte é a Fox News em todos os bares e restaurantes espalhados pelo país, mas também é porque os Democratas não estão trabalhando a base eleitoral, participando, debatendo. Passamos a maior parte do tempo preocupados com a política externa e interna, e menos tempo com os pés no chão. Quando colocamos o pé no chão saímo-nos bem”.

O presidente disse que os eleitores de estados do meio-oeste industrial, como Michigan e Wisconsin, que votaram em Trump, não receberam a mensagem que o Partido Democrata estava tentando passar.

“Não é somente um problema econômico. É um problema cultural. E de comunicação. É verdade que muitas manufaturas foram extintas ou se transformaram por causa da automação. Mas, durante a minha presidência criamos empregos de manufaturas a taxas históricas”, disse o presidente à revista. “Você começa a ouvir as pessoas falarem, ‘ah, as famílias trabalhadoras foram esquecidas’, ou, ‘as famílias trabalhadoras brancas não atraíram a atenção dos Democratas’. Na verdade, foram sim. O que é verdade, também, é que todas as medidas que propusemos nesse sentido não foram ouvidas, não chegaram até as pessoas dessas comunidades. E o que elas ouvem é que ‘Obama e Hillary querem tirar suas armas’, ou que ‘eles nos desrespeitam'”

São necessários mais encontros “cara a cara” com o eleitor das classes trabalhadoras, defende o presidente.

“Acho que o que é de fato importante para nós, como progressistas – deixando de lado o Partido Democrata e incluindo todos que desejam ver uma América mais progressista -, é pensar em como vamos atuar no campo, como estar presente em toda parte e lutar pelo apoio das pessoas, mostrando a elas uma noção concreta de como pensamos que podemos melhorar a vida delas”, disse Obama. “Se não fomos em campo e as pessoas não nos virem cara a cara continuaremos a perder, mesmo que eu genuinamente acredite que as receitas Republicanas não ajudarão a essas pessoas.”

O presidente nega a ideia de que a eleição de Trump representa uma guinada para a “direita pesada” entre os eleitores americanos.

“Se você fizer uma pesquisa, inclusive entre os eleitores de Trump, vai descobrir que eles são favoráveis ao aumento do salário mínimo. “São a favor, na sua grande maioria, da descriminação da maconha. Acho que eles, cada vez mais e com surpreendente rapidez, estão aceitando a necessidade de tratar a comunidade LGBT com respeito. Eles tem sérias suspeitas de Wall Street, e muitas suspeitas sobre o Establishment. Em parte, o que Trump fez, assim como Bernie Sanders, foi concorrer contra o Establishment. Agora, a ironia, é claro, é alguém pensar que Trump seria alguém de fora do Establishment e não um genuíno  outsider, como Sanders. Assim, não me parece que haja um movimento brusco para a direita.”