Mulheres denunciam abusos sexuais em penitenciária da Flórida

Elas estão processando o governo por violações sofridas na Penitenciária Coleman, perto de Ocala

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Dentre as mulheres que denunciaram os abusos, sete delas ainda estão encarceradas
Dentre as mulheres que denunciaram os abusos, sete delas ainda estão encarceradas (Foto: Wikimedia Commons)

DA REDAÇÃO – Um playground para os predadores sexuais. Esta foi a definição dada por uma vítima de sucessivos abusos ocorridos no Complexo Correcional Coleman, uma penitenciária federal só para mulheres, localizada entre Orlando e Ocala, na Flórida. Segundo denúncias de 14 detentas, com idades que variam de 30 a 56 anos, as violações eram cometidas pelos guardas masculinos, que usavam sua autoridade para obter os favores sexuais e ainda puniam aquelas que prestavam queixas do comportamento impróprio. Só que elas se uniram e, juntas, estão processando o governo americano.

A história ganhou força e destaque nacional depois que o senador Marco Rubio (Republicano da Flórida) tomou conhecimento das denúncias através de uma reportagem especial do jornal Miami Herald. O político, que é do sul da Flórida, solicitou que a penitenciária seja investigada quanto aos abusos sexuais sistêmicos. “Estas alegações são uma aberração e exigem ação imediata de sua parte”, escreveu o senador em uma carta ao procurador geral dos EUA, William Barr.

Dentre as mulheres que denunciaram os abusos, sete delas ainda estão encarceradas. Além de compensação financeira pelos danos sofridos, o grupo quer ainda que as instalações da unidade sejam aperfeiçoadas – e isso inclui não apenas questões estruturais, como também algumas das políticas internas. “Não é possível que os agentes cometam estas atrocidades e fiquem protegidos de qualquer consequência”, afirmou uma das ex-detentas. Na ação movida contra o governo, elas não usaram o codinome “Jane Doe”, mas sim seus nomes verdadeiros.

“Este é um “segredo” conhecido de todos os agentes penitenciários em Coleman. Lá tudo é permitido”, disse outra mulher do grupo, que ficou encarcerada por quatro anos na unidade. Ela espera que a atitude do grupo possa mudar a situação. O Departamento Correcional, aliás, vem recebendo intensas críticas recentemente. Segundo a opinião de especialistas, a agência tem sido negligente em muitos aspectos, como por exemplo no caso do suposto suicídio do milionário Jeffrey Epstein, que era considerado um detento muito importante para as investigações em curso.

O Complexo Correcional Coleman perto de Ocala abriga cerca de 500 mulheres, muitas delas que cometeram pequenos delitos. No entanto, há pelo menos seis mil detentas em outras penitenciárias do mesmo grupo. O advogado que impetrou a ação acredita que as políticas e condutas devem ser comuns a todas as unidades.