Número de brasileiros morando no exterior bate recorde e EUA é o país mais buscado

Fenômeno imigratório sem precedentes é motivado pela crise econômica prolongada, problemas sociais e falta de segurança, dizem especialistas

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42% dos imigrantes brasileiros pelo mundo estão nos EUA (foto: Flickr)

O número de brasileiros morando fora do Brasil mais que dobrou nos últimos oito anos, passando de 1,8 milhão em 2012 para 4,2 milhões em 2020. Os números são do Ministério das Relações Exteriores (MRE). O maior salto, segundo dados do Ministério, foi entre os anos 2018 e 2020, quando a quantidade de cidadãos cruzando a fronteira aumentou 17%. “Esse movimento nos últimos anos é inédito e, de fato, representa a maior diáspora da história brasileira para os nossos padrões, um país que, historicamente, sempre recebeu imigrantes”, disse Pedro Brites, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ao jornal Estadão.

Os números do MRE mostram, ainda, que a maior comunidade de imigrantes brasileiros está nos EUA,  com 1,78 milhão pessoas; sem contar os indocumentados que não aparecem nas estatísticas oficiais. Na sequência vem Portugal (276 mil), Paraguai (240 mil), Reino Unido (220 mil) e Japão (211 mil). 

A debandada aparece também no movimento de remessas financeiras. No ano passado inteiro o Brasil recebeu $ 3,31 bilhões em transferências pessoais enviadas de outros países, recorde para o indicador até então, de acordo com o Banco Central. Também neste quesito os residentes nos EUA se destacam, sendo responsáveis pela envio de $ 1,47 bilhão entre janeiro e setembro, motivados, principalmente, pela alta do dólar americano.

O pesquisador da Universidade de Massachusetts, Eduardo Siqueira, que há 20 anos estuda a imigração para os EUA, disse à BBC News que há uma nova onda de brasileiros deixando o país. Pessoas de diferentes níveis culturais e financeiros .”Aconteceu isso no período do [governo do ex-presidente Fernando] Collor e está acontecendo de novo nesse período mais recente. Até antes do governo Bolsonaro, no fim do governo Dilma já começou um pico de imigração para cá [EUA]”, falou o professor. Ele considera que a busca por morar fora a cresce à medida que o Brasil mergulha em uma longa crise econômica, social e de segurança.  “Normalmente o envio de remessas tem a ver com a necessidade das famílias no Brasil, quanto maior a crise, maiores as remessas”, diz Siqueira. O novo movimento imigratório também pode ser constatado no recorde de brasileiros presos tentando cruzar ilegalmente a fronteira com o México este ano. Por causa disso, o governo mexicano decidiu que voltará a exigir visto de viajantes brasileiros.

“Com as pessoas perdendo seus empregos, fechando negócios e não vendo alternativas para ficar no Brasil, elas resolvem explorar a possiblidade de vir para os EUA. Mas a situação aqui também não é fácil e as pessoas muitas vezes sofrem bastante”, afirmou.