O desclassificado clássico sul-americano da Conmebol

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Lionel Messi (à esquerda) terá no Catar 2022 talvez sua última chance de vencer uma Copa do Mundo; Neymar Jr. quer provar ao mundo que é craque de verdade e não apenas um garoto mimado (Fotos: Wikipedia e Zimbio)
Lionel Messi (à esquerda) terá no Catar 2022 talvez sua última chance de vencer uma Copa do Mundo; Neymar Jr. quer provar ao mundo que é craque de verdade e não apenas um garoto mimado (Fotos: Wikipedia e Zimbio)

O Brasil atuou hoje (9) à noite diante do Peru na Arena Pernambuco, mas infelizmente não podemos informar o resultado porque a edição do AcheiUSA já estava fechada. 

Entretanto, o que ainda reverbera mesmo é o clássico que não houve. Até agora, todos se eximem de culpa e apontam o dedo para os demais. Claro, ninguém quer ser pai de filho feio. A verdade, porém, é que há vários responsáveis por estsa pantomima vivida no dia 5 de setembro na NeoQuímica Arena, em São Paulo, que estava engalanada para sediar o maior clássico da América do Sul e um dos mais reverenciados do mundo: Brasil x Argentina.

Os culpados

1) Os primeiros culpados são a English Premier League (EPL), que organiza o campeonato inglês, e alguns clubes daquele país. Por temor de contaminação dos atletas que atuam no mais importante campeonato nacional do planeta, a EPL determinou que vetaria a cessão dos jogadores sul-americanos às suas respectivas seleções. Tite e sua comissão técnica lamentram a decisão, mas, em vez de se envolver em polêmica, convocaram outros jogadores para substituir aqueles que não podiam vir. A Associação de Futebol Argentino (AFA), no entanto, decidiu desafiar esta determinação e negociou diretamente a liberação de quatro jogadores que estavam sob suspeita de ser portadores de covid-19: Emiliano Martínez, Giovani Celso, Cristian Romero e Emiliano Buendía. Ou seja, foram usados dois pesos e duas medidas, o que, no mínimo, é algo bem criticável, e até mesmo passível de punição pela Fifa.

2) A culpa da AFA, da comissão técnica e dos jogadores argentinos é notória. Ora, eles sabiam que não podiam entrar no Brasil por não cumprir os protocolos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que exigia uma quarentena de 14 dias para os atletas ingressar em território brasileiro. A petulância e a malandragem dos argentinos impediu uma ação mais efetiva dos agentes da Anvisa e da Polícia Federal no sentido de deportá-los antes de entrar no gramado.

3) Apesar dos dribles (no pun intended) dos jogadores argentinos, faltou um pulso mais forte por parte da Anvisa e da Polícia Federal para que os jogadores citados entrassem em campo. Se fosse o caso, que fossem ao vestiário da albiceleste e sacassem os mentirosos que omitiram suas condições no formulário para entrar no Brasil. Some-se a isto, a falta de tato de interromper uma partida de Copa do Mundo – sim, faz parte das Eliminatórias para a Copa do Mundo Catar 2022 – aos 13 minutos do primeiro tempo e causar um mal-estar geral que repecutiu na Conmebol e na Fifa, entidade suprema que rege o futebol mundial. O mais sensato, ao meu ver, seria esperar o jogo terminar e depois aplicar uma multa pesada àqueles que desobedeceram os protocolos sanitários brasileiros. E deixar para a Fifa e para a Conmebol a determinação das sanções esportivas pelas ações condenáveis dos argentinos.

4) Por falar em Conmebol, ela juntamente com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e com a AFA são acusadas de se mancomunar no sentido de fazer vistas grossas à desobediência dos jogadores e teriam concordado em realizar a partida assim mesmo, a fim de resolver este impasse e evitar causar mais problema com o já apertado calendário do futebol sul-americano.

5) A imprensa, por sua vez, também tem sua parcela de culpa. Alguns jornalistas brasileiros propõe uma suspensão de 10 anos aos atletas pela molecagem feita por eles, e concomitantemente 10 anos de banimento da Argentina em competições oficiais promovidas pela Fifa. Já os argentinos, sugerem que o Brasil seja eliminado da Copa do Mundo do Catar 2022 por ter permitido esta pantomima inusitada. Sejamos honestos, nada disto vai acontecer. O que deve ocorrer é a realização de outro jogo em uma nova data ou ainda uma decisão salomônica de ratificar o resultado e conceder um ponto para cada seleção – algo que não interferiria sequer na tabela de classificação, pois o Brasil lidera as Eliminatórias com 100% de aproveitamento, com sete vitórias em sete jogos, enquanto a Argentina é a vice-líder com cinco pontos atrás. Traduzindo: alguém tem dúcvida de que estas duas super potências futbolísticas da América do Sul estarão encantando torcedores nos campos do Catar no ano que vem capitaneadas por Messi e Neymar, agora novamente companheiros de clube, repetindo no Paris Saint Germain a dobradinha bem-sucedida que tanta alegria deu aos torcedores do Barcelona.

É isso aliás que os amantes do futebol desejam em vez de ser obrigados a ler notas oficiais para justificar o injustificável.

Brasileirão 2021 a meio vapor

Cinco equipes brasileiras tiveram seus jogos adiados em razão de ceder seus jogadores às seleções sul-americansa. A CBF considerou que elas seriam prejudicadas pois teriam de atuar desfalcadas contra adversários que não sofreram nenhum desfalque. Desse modo, Flamengo, Atlético-MG, Palmeiras, São Paulo e Internaconal tiveram suas partidas adiadas para outras datas.

Entretanto, o Brasileirão continuou para aquelas equipes que estavam completas. Assim, ocorreram duas partidas no sábado (4): Bahia 4 x 2 Fortaleza, com 4 gols do colombiano Hugo Rodallega, e Cuiabá 2 x 1 Santos, que provocou a queda de Fernando Diniz, substiuído por Fábio Carille. No domingo (5), um empate sem graça entre Athletico-PR e Sport, que teve a expulsão de Hernanes, e no feriado de Sete de Setembro, duas partidas foram realizadas pela última rodada do 1º turno do Brasileirão: Corinthians x Juventude e Chapecoense x Fluminense.

Roger Guedes estreia com gol no Timão

Roger Guedes fez o gol de empate do Timão em cobrança de falta. O Corinthians não marcava um gol de falta há mais de um ano (Foto: soutimao.com)
Roger Guedes fez o gol de empate do Timão em cobrança de falta. O Corinthians não marcava um gol de falta há mais de um ano (Foto: soutimao.com)

Depois de muito tempo de espera e badalação, os novos contratados do Corinthians estiveram em campo (com exceção de William) nesta terça-feira (7) na Neo Química Arena para enfrentar o bom time do Juventude de Caxias do Sul. 

Todos os olhos estavam voltados para Giuliano, Renato Augusto e sobretudo Roger Guedes, jogador que vem se destacando pelas polêmicas causadas nas redes sociais, desafiando o Palmeiras, o clube que lhe deu a grande chance de se destacar no futebol.

No primeiro tempo, o Juventude dominou as ações no primeiro terço do jogo, o Timão equilibrou, mas uma boa jogada do time gaúcho culminou com uma cabeçada certeira de Ricardo Bueno, inapelável para o goleiro Cássio.

O time dirigido por Marquinhos Santos voltou com a mesma pegada na segunda etapa e por pouco não ampliou a vantagem. O Alvinegro paulista empatou aos 39’ do segundo tempo em cobrança de falta de Roger Guedes, que contou com a falha dos homens da barreira que não pularam para impedir que a bola chegasse ao gol de Marcelo Carné. De qualquer forma, foi bom resultado para o Juventude (13º).

O Corinthians (6º) volta a campo no domingo (12) em Goiânia para enfrentar o Atlético-GO, enquanto o Juventude recebe o Cuiabá em casa no sábado (11).

O drama da Chapecoense não tem fim

O Fluminense sofreu até o fim, mas venceu a Chapecoense por 2 a 1, na noite desta terça-feira (7), na Arena Condá, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com gols de Bobadilla e Luiz Henrique antes dos 20 minutos da primeira etapa, o Tricolor recuou na sequência, viu a Chape diminuir com Perotti no segundo tempo, porém, conseguiu se segurar na defesa para saltar quatro posições na tabela de classificação.

Com a vitória, o Fluminense chega a 25 pontos e pula para a sétima colocação. O Tricolor aguarda o fim da rodada para consolidar a posição. Com apenas sete pontos, a Chapecoense segue em situação dramática na lanterna do Brasileirão.

No próximo sábado (11) a Chapecoense (lanterna) vai até o Nabi Abi Chedid enfrentar o Bragantino (4º). No domingo (12) o Fluminense (7º) recebe o São Paulo (15º) no Maracanã. Os dois jogos são válidos pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro.