Obra criada por brasileira causa polêmica em museu de Miami

Artista, que tem obra exposta no Institute of Contemporary Art, é acusada por duas modelos da instalação “The Inverse” de constrangimento sexual

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Detalhe da obra 'The Inverse', de Laura Lima, em exibição no museu ICA, em Miami
Detalhe da obra 'The Inverse', de Laura Lima, em exibição no museu ICA, em Miami

DA REDAÇÃO (com Miami Herald) – A artista plástica brasileira Laura Lima está no centro de uma polêmica envolvendo um dos mais conceituados museus de arte contemporânea de Miami, o Institute of Contemporary Art (ICA). Tudo porque, de acordo com a acusação de duas modelos que participaram de sua instalação artística “The Inverse” (atualmente em exibição no ICA), a artista teria as pressionado para que elas introduzissem na vagina uma corda que faz parte da obra. O pedido teria vindo acompanhado da distribuição de preservativos e lubrificantes às mulheres. As informações são do jornal “Miami Herald”, em reportagem publicada na quinta-feira (30).

De acordo com a publicação, a obra de Laura consiste em um emaranhado composto por uma grossa corda cujas pontas estão presas a vãos na estrutura do prédio do museu que permitem visualizar parte das pernas das modelos.

O jornal conta que as modelos participantes da performance pensada pela brasileira vestem roupas criadas pela artista e ganham $15 por hora para se deitarem no chão e colocarem a corda no meio de suas pernas.

Uma descrição de “The Inverse” distribuída a modelos que quisessem participar da performance da obra informava que elas deveriam “interagir passivamente com a escultura, presa a elas, da forma que achassem melhor”. Todas as participantes assinaram um contrato com o ICA.

Obra ‘provocadora’

Tanto a artista quanto a direção do ICA contestam a acusação feita pelas modelos —que não tiveram seu nome divulgado pela reportagem do “Miami Herald”.

“Eu imaginei que seria uma honra participar de uma mostra no ICA e de que seria um trabalho normal, mas não importa quão famoso seja o lugar ou o artista. Se você é uma mulher, está sempre exposta a esse tipo de perigo”, afirmou uma delas ao site “Miami New Times”. A modelo realizou a performance na noite de abertura da mostra, em 3 de junho, e afirma ter sofrido “trauma emocional”.

A diretora do ICA Ellen Salpeter se limitou a enviar o seguinte comunicado ao “Miami Herald”: “O ICA Miami tem o compromisso de ser uma plataforma aberta à inovação, à arte contemporânea experimental e ao debate artístico. ‘The Inverse’ é uma obra que mistura escultura e performance de forma provocadora e que questiona a relação entre arte e corpo.”

A obra da brasileira está em exibição até outubro no museu (que fica no endereço 4040 NE 2nd Ave, Miami, FL 33137, no Design District.

A artista tem nome reconhecido no circuito de arte contemporânea ha pelo menos uma década. Museus de renome em Madri (La Reina Sofia), Londres (The Serpentine Gallery) e Boston (Isabella Stewart Gardner Museum) têm obras de Laura Lima em seus acervos.