Obra de Niemeyer em BH pode se tornar patrimônio da humanidade

Considerada a obra-prima do conjunto, a Igreja São Francisco de Assis da Pampulha foi inaugurada em 1943

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A Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer
A Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer

A lista inclui de dólmens pré-históricos na Espanha à arquitetura modernista de Oscar Niemeyer. Com esses concorrentes a Unesco vem debatendo, até o dia 20 deste mês, quais sítios naturais e culturais entrarão na lista de patrimônio mundial em 2016. A 40ª sessão do Comitê de Patrimônio Mundial acontece desde domingo (10) em Istambul, na Turquia.

Figurar na lista de locais considerados patrimônios da humanidade, e que hoje inclui 1.031 sítios em 163 países, pode ajudar a facilitar a liberação de ajudas financeiras para a preservação e estimular o turismo. Neste ano, 29 sítios almejam entrar na lista e a decisão final será adotada pelo comitê de patrimônio, integrado por 21 países eleitos para um mandato de seis anos.

Entre os sítios culturais que devem ser apreciados na reunião está a obra do arquiteto modernista brasileiro Oscar Niemeyer (1907-2012).  O Brasil propôs incluir na lista de patrimônio o conjunto arquitetônico do bairro da Pampulha, projetado por Niemeyer na década de 1940 em Belo Horizonte.

Considerada a obra-prima do conjunto, a Igreja São Francisco de Assis da Pampulha foi inaugurada em 1943. Seu interior abriga a Via Crúcis, constituída por catorze painéis de Cândido Portinari, considerada uma de suas obras mais significativas. Os painéis externos também são de Portinari – painel figurativo – e de Paulo Werneck – painel abstrato. Os jardins são assinados por Burle Marx. Na área externa, é recoberta de pastilhas de cerâmica em tons de azul claro e branco, formando desenhos abstratos.

A igrejinha da Pampulha é um dos mais conhecidos “cartões postais” de Belo Horizonte. O local já é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais -Iepha/MG e pela Gerência do Patrimônio Municipal.

Outros concorrentes

As obras do arquiteto franco-suíço Le Corbusier, outro integrante do movimento modernista que surgiu depois da I Guerra Mundial, também foram apresentadas à Unesco. A candidatura apresentada pela França inclui 17 sítios de sete países (França, Suíça, Bélgica, Alemanha, Argentina, Japão, Índia) para demonstrar a dimensão planetária da obra de Charles-Edouard Jeanneret-Gris, conhecido como Le Corbusier (1887-1965).

Os Estados Unidos apresentaram as obras do arquiteto modernista Frank Lloyd Wright, mas a candidatura não recebeu uma opinião muito estimulante do comitê.