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ONU reconhece escravidão como o crime mais grave da história; Brasil apoia, EUA rejeita

Resolução histórica reconhece a escravidão como o crime mais grave da humanidade; Brasil é a favor, enquanto EUA, Israel e Argentina se posicionaram contra.

Gravura de Jean-Baptiste Debret retrata a escravidão no Brasil colonial; agora a ONU reconhece a escravidão como o crime mais grave da história. Imagem: Picryl

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução histórica que reconhece a escravidão como “o crime mais grave contra a humanidade”. A medida recebeu 123 votos a favor, 52 abstenções e somente três contrários.

O texto, apresentado em nome da União Africana, recomenda que países considerem pedidos de desculpas, reparações e retorno de artefatos culturais retirados de nações africanas e diásporas. Entre os destaques da votação, o Brasil apoiou a resolução, enquanto os EUA votaram contra, junto com Israel e Argentina.

Os EUA afirmaram que, embora condenem moralmente a escravidão, não veem base legal para reparações por atos que “não eram ilegais na época” e criticaram a linguagem da resolução. Líderes africanos e caribenhos celebraram a medida como marco simbólico na luta por memória e justiça reparatória.

É a primeira vez que a ONU usa a expressão “o crime mais grave contra a humanidade” especificamente para a escravidão.

No Brasil, movimentos negros e organizações da sociedade civil comemoraram a medida, que vinha sendo pressionada ao governo para apoio e fortalecimento de políticas públicas de combate ao racismo. E lembram que, mesmo sem efeito jurídico, a resolução tem forte valor político e moral.

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