Para economistas, Brasil terá recessão até 2018 mesmo com impeachment

Economistas de governos FHC, Lula e Dilma concordam que recuperação da recessão será lenta; ‘É uma das crises mais graves da história”, disse Gustavo Loyola, ex-Banco Central

0
1505
Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central
Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central

DA REDAÇÃO (com UOL) – Um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff – baseado em acusações de crime de responsabilidade – parece para muitos a saída para a crise. Contudo, para economistas entrevistados pelo portal UOL, diante da atual crise política e do avanço do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, o país pode enfrentar até dois anos de recessão econômica.

Em entrevista ao portal, os economistas Marcio Pochmann, que foi integrante dos governos Lula e Dilma, e Gustavo Loyola, que participou do governo Fernando Henrique Cardoso, concordaram que a recuperação da recessão pode ser mais lenta agora.

“O resultado da votação desse domingo abre um campo a mais de incerteza na política, que deve repercutir na economia”, disse Pochmann. “Os sinais de recuperação econômica, que eram previstos para o segundo semestre de 2016, serão postergados para 2017. Se a presidente Dilma for afastada, até que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) monte sua equipe, pode demorar e isso deve comprometer a economia até 2017”, completou.

Para outro entrevistado pelo portal, Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central na década de 90, o país deve esperar por mais dois anos de forte recessão. “É uma das crises mais graves da história da economia, principalmente se levarmos em consideração que teremos uma recessão econômica mais forte do que a do ano passado”, diz Loyola.

Para o economista, a solução passa pela retomada da confiança de agentes econômicos, e isso depende da percepção de governabilidade. “Existe uma profunda desconfiança, e a política acaba dominando. Sem saber para onde a política vai, é difícil saber para onde vai a economia”, afirmou.

Para Loyola, se Temer assumir, o Brasil volta ao tradicional presidencialismo de coalizão “que, com seus defeitos, assegura o mínimo de governabilidade”. “O que se espera de Temer, que pode chegar ao poder com o apoio de grupos de partidos com bancadas grandes, é que ele recomponha a base política. Se isso não ocorrer, a crise econômica pode durar até 2018, até a nova eleição”.

Pochmann aposta que a solução para a recessão começa no corte dos juros. Para ele, não se justifica a atual taxa de juros real. “Se você reduz a taxa de juro em 1 ou 2 pontos percentuais, podemos ter uma economia em torno de R$ 30 bilhões em um período de 12 meses”, argumenta o economista.

Já Loyola não é favorável à redução dos juros entre as primeiras medidas para tentar ajudar o país a sair da recessão. “Hoje não cortaria, mas vejo como uma perspectiva razoável que, dentro de uns três meses, o Banco Central possa começar a reduzir os juros”.