Polícia divulga identidade de brasileiro acusado de enviar armas de Miami para o Rio de Janeiro

Suspeito está sendo procurado pela Interpol; ele tem green card e está nos EUA desde 2010

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Barbieri está sendo procurado pela Interpol (Foto O Globo)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou o brasileiro suspeito de enviar 60 fuzis dentro de aquecedores de piscina de Miami para o Rio. Frederik Barbieri, de 46 anos, teria uma vida de luxo em Miami, onde vive desde 2009. Ele é procurado pela Interpol. As informações são do jornal “O Globo”.

Segundo a polícia, Barbieiri tem green card. O suspeito de tráfico de armas era proprietário de empresas de importação e exportação em Miami que, de acordo com investigadores, mandaram pelo menos 30 carregamentos de armas para traficantes brasileiros. As duas remessas que foram interceptadas na quinta-feira (1) no terminal de cargas do Aeroporto Internacional Galeão-Tom Jobim dariam um lucro de R$ 3,5 milhões, segundo a Polícia Civil.

O armamento foi comprado legalmente nos Estados Unidos e o preço pago em cada fuzil variou entre $ 1,8 mil e $ 2,5 mil. No Rio, cada fuzil seria vendido por até R$ 70 mil.

Segundo Tiago Dorigo, delegado assistente da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas, Barbieri tem um mandado de prisão expedido pela Justiça Federal na Bahia, por contrabando e tráfico de armas.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, investigações apontam que o suspeito adquiria as armas e as despachava para o Rio de Janeiro usando diferentes rotas. O esquema ficou mais sofisticado nos últimos anos, a ponto de Barbieri não viajar mais ao Brasil para acompanhar a entrega das remessas de fuzis. Além de aquecedores de piscina, aparelhos de ar-condicionado teriam sido usados como “embalagens” para esconder as armas.

“Investigamos essa quadrilha há dois anos. Detectamos o envolvimento dessa pessoa que vive em Miami. A carga era embarcada nos Estados Unidos e quando chegava ao Brasil um despachante do bando atuava para conseguir a liberação rápida da mercadoria. Um transportador pegava o armamento no Galeão-Tom Jobim e, do aeroporto, os fuzis seguiam para diversas comunidades da Região Metropolitana”, disse o delegado Tiago Dorigo, responsável pelas investigações.

A Polícia Civil descobriu que as armas eram vendidas para três facções: dentro da quadrilha, havia um esquema de entrega das encomendas para cada uma delas. Os aquecedores de piscina com os fuzis estavam nos nomes das empresas importadoras L.B.S.N Gestão Corporativa Comex, com sede em Maceió; e Unio Comércio, Importação e Exportação Ltda, de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

A polícia já identificou pelo menos 15 integrantes da quadrilha e quatro pessoas foram presas.

“As investigações vão prosseguir, pois atingimos o núcleo duro da organização criminosa. Acreditamos que, depois da operação de quinta-feira, eles mudem de rota. Temos indícios fortes de que os bandidos também usam vias terrestres. É um negócio muito lucrativo”, disse o delegado.

A Delegacia de Armas, Munições e Explosivos está tentando rastrear a origem dos fuzis. Peritos usaram produtos químicos para tentar identificar a numeração de cada fuzil, raspada antes da remessa.