Polícia Federal do Brasil deflagra Operação Piratas do Caribe para pegar ‘coiotes’

Operação tem como objetivo também descobrir o paradeiro dos 12 brasileiros desaparecidos nas Bahamas

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Delegado concedeu entrevista coletiva em Rondônia (Foto: Pâmela Fernandes/G1)
Delegado concedeu entrevista coletiva em Rondônia (Foto: Pâmela Fernandes/G1)

DA REDAÇÃO – A Polícia Federal deflagrou na última semana a Operação Piratas do Caribe, com a finalidade de desarticular a ramificação brasileira de uma organização criminosa de coiotes, responsável por levar brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos. Também são investigadas pessoas que indiquem onde se encontram os 12 brasileiros desaparecidos, em novembro de 2016, na região das Bahamas.

Cerca de 30 policiais federais cumprem sete mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva, em Rondônia, Santa Catarina e Minas Gerais. As investigações começaram a partir da notícia do desaparecimento de um brasileiro que teria tentado entrar ilegalmente nos Estados Unidos, com auxílio de coiotes. Eles cobravam quantias de até R$ 60 mil para intermediar o transporte ilegal via Bahamas.

Antes de sair do Brasil, os imigrantes ficavam em alguma cidade com aeroporto internacional de fácil acesso, aguardando a ordem de embarque para as Bahamas, que ocorria quando um determinado agente de imigração daquele país facilitava a entrada dos brasileiros. Uma vez nas Bahamas, os imigrantes aguardavam por vários dias para embarcar para os Estados Unidos de barco.

“Quando chegavam nas Bahamas, ficavam em uma casa pelo tempo que a organização determinasse, até receber a ordem para embarcar via barco das Bahamas para os Estados Unidos, na região da Flórida”, disse o delegado Raphael Baggio de Luca, da PF de Rondônia.

Além de todos os conhecidos riscos que envolvem a imigração ilegal para outros países, os coiotes escondiam os reais perigos envolvidos na travessia, como a passagem pela região do Triângulo da Bermudas, famosa pelo alto índice de tempestades, naufrágios e desaparecimento de embarcações e aeronaves.

A promessa era que os brasileiros atravessariam em um iate, mas a realidade era outra. “Na verdade, colocam em um barco, canoa, embarcações péssimas. Faziam as travessias de forma perigosa, à noite. Durante o dia, ficavam escondidos em ilhas na região, sem alimentação, sem bebida, para continuar a viagem à noite. Tudo para ludibriar a fiscalização”, afirmou Luca.

12 desaparecidos

Conforme Luca, o grupo de 12 brasileiros desaparecidos foi transportado por esta organização. “Entre as pessoas que esta organização transportou, encontram-se 12 brasileiros que estão desaparecidos”, disse.

O objetivo desta fase da investigação é colher provas de onde estejam estes brasileiros e verificar o grau de envolvimento de outras pessoas neste esquema, “que não só envolveu brasileiros como outras pessoas do estrangeiro”, informou o delegado. (Com informações do G1 e da Polícia Federal). ν