Prestes a ser deportado, brasileiro informante do ICE processa governo Trump

Homem colaborou com o ICE para desmantelar uma quadrilha de tráfico de pessoas; deportação está marcada para o dia 6 de novembro

0
7384
Renato Filippi luta para não ser deportado
Renato Filippi luta para não ser deportado (Foto Arquivo Pessoal)

O brasileiro Renato Filippi, de 58 anos, está numa luta contra o tempo para evitar a deportação marcada para o dia 6 de novembro. Há 15 anos, Renato fez um acordo com U.S. Immigration and Customs Enforcemente (ICE) em New Hampshire para ajudar a desmantelar uma quadrilha de tráfico de pessoas para os EUA. Filippi entrou ilegalmente pela fronteira dos EUA com o México em 2002 por meio desses ‘coiotes’. As informações são do jornal New Hampshire Union Leader.

“Ele foi muito útil e ajudou o ICE a prender criminosos durante nove anos por causa de suas informações. Tudo mudou depois da entrada do presidente Trump. Se ele for deportado, pode ser morto por integrantes da quadrilha”, alega o advogado de Renato, George Bruno, que entrou com uma ação contra o governo Trump e a Imigração.

Na quarta-feira (11), porém, um juiz federal determinou que ele não possui jurisdição e, portanto, cancelará a ação judicial movida por Renato, que é morador em Manchester (NH). O advogado do brasileiro disse que apresentará uma apelação junto à Corte Federal de Apelações do 1º Circuito em Boston (MA) e outras ações legais. Caso todos os esforços falhem, Renato terá que sair dos EUA até 6 de novembro.“Obviamente, o tempo é curto”, disse o advogado George Bruno.

‘Funcionário exemplar’

O patrão de Filippi disse estar fazendo o possível para manter o funcionário nos Estados Unidos. Charlie Morgan, residente em Bedford (NH), informou que o brasileiro é gerente de operações de suas quatro empresas, sendo a maior delas o Morgan Self Storage em Manchester Millyard.

Renato, que começou ganhando o salário mínimo na empresa, agora faz praticamente tudo nas empresas, detalhou Morgan. Ele acrescentou que o funcionário é responsável, trabalhador e disciplinado.

“Eu estou de coração partido e absolutamente desapontado com o meu governo”, acrescentou Charlie. Na ação, ele alega que aceitou um acordo feito com as autoridades federais depois que detido quando tentava entrar clandestinamente nos EUA através da fronteira do Texas com o México em 2002. Na ocasião, ele aceitou atuar como informante confidencial e fonte de inteligência; em troca o governo federal permitiria que ele permanecesse nos EUA.

Através de um porta-voz, o ICE informou que não comenta litígios pendentes. “Entretanto, a falta de comentário não deve ser entendida como acordo ou estipulação de qualquer uma das alegações”, disse o porta-voz Shawn Neudauer.

A ação judicial envolve o Presidente Trump como acusado principal. Ela inclui a secretária interina do Departamento de Segurança Nacional (DHS), Elaine Duke, o diretor interino do ICE, Thomas Homan, e o supervisor do ICE em Manchester, Timothy Stevens. Ainda conforme e ação, Renato foi detido quase que imediatamente em 2002 quando entrou nos EUA clandestinamente nas proximidades de Abram, Texas. As autoridades federais recrutaram o brasileiro e durante 11 meses ele trabalhou como informante secreto do governo e fonte de inteligência contra os “coiotes”.