Produtores agrícolas exigem reforma da imigração para combater a falta de trabalhadores nos campos e o aumento dos preços dos alimentos

"Eu contrataria americanos, mas eles parecem não existir", lamenta um produtor. O plano em análise no Senado abriria caminho para a cidadania dos trabalhadores agrícolas

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De 2014 a 2016, cerca de metade dos mais de três milhões de trabalhadores rurais não tinha status de imigração, de acordo com uma pesquisa do Departamento de Agricultura dos EUA (Foto: pbs.org)
De 2014 a 2016, cerca de metade dos mais de três milhões de trabalhadores rurais não tinha status de imigração, de acordo com uma pesquisa do Departamento de Agricultura dos EUA (Foto: pbs.org)

Produtores agrícolas de todo o país estão se unindo a uma campanha para pressionar o Senado por uma reforma da imigração que, segundo eles, ajudaria a combater a escassez de mão de obra e reduzir os preços dos alimentos, prejudicados pelo aumento do custo de produção.

Eles dizem que a Lei de Modernização da Força de Trabalho Agrícola, aprovada pela Câmara e pendente no Senado, fornecerá uma força de trabalho estável ao reformar o programa de visto de trabalhador sazonal e criar um caminho para a cidadania aos imigrantes que trabalham no campo, entre outras medidas.

Embora a atual escassez de mão de obra não seja nova, ela foi exacerbada pela pandemia de coronavírus e levou a preços mais altos ou prateleiras vazias para os consumidores. Os custos dos alimentos são agora 10% maiores em relação ao ano passado, de acordo com o Bureau of Labor Statistics (Escritório de Estatística do Departamento do Trabalho).

“Em um momento em que a escassez de mão de obra está contribuindo para a inflação e os altos preços dos alimentos, está claro que precisamos que o Senado aprove uma legislação para estabilizar a força de trabalho e proteger a oferta de alimentos”, disse Zoe Lofgren, representante democrata da Califórnia que patrocinou o projeto de lei.

Algumas organizações trabalhistas se opõem à medida, dizendo que ela não inclui todos os imigrantes e exacerbaria ainda mais os desequilíbrios de poder entre produtores agrícolas e imigrantes.

A versão do projeto de lei, apresentado no Senado por Mike Crapo, R-Idaho, e Michael Benne, D-Colorado, modificaria e expandiria ainda mais o programa de visto de trabalho temporário H-2A para dar aos trabalhadores agrícolas residência com base no trabalho e um caminho à cidadania.

Ainda não se sabe quando a legislação será submetida à votação no Senado, mas com a escassez de mão de obra contribuindo para desafios na produção de alimentos, o projeto recebeu amplo apoio de centenas de produtores e grupos agrícolas.

Um estudo de 2022 da Texas A&M University encomendado pela American Business Coalition, grupo bipartidário de 1,200 líderes empresariais que defendem a reforma da imigração, descobriu que ter mais trabalhadores imigrantes pode levar a uma inflação mais baixa, salários médios mais altos e melhor remuneração.

A pesquisa também concluiu que “o aumento de pedidos de naturalização negados está associado aos preços mais altos e inflação mais alta”.

No entanto, o impulso da imigração enfrenta forte oposição de alguns grupos de direitos trabalhistas que não acreditam que seja o caminho certo para a reforma da imigração.

O Familias Unidas por la Justicia, um sindicato agrícola da Costa Oeste, protestou contra o projeto por causa da exigência de se inscrever em um processo de verificação, pois acreditam que poderia levar ao rastreamento ilegal de imigrantes, denunciando também que o plano não inclui todas as pessoas que trabalham em fazendas.

Alejandro Gutierrez-Li, professor do departamento de economia agrícola e de recursos da State University of North Carolina, disse que, embora não seja uma lei perfeita, trata de alguns dos problemas mais difíceis enfrentados pela agricultura e, apesar de existirem algumas ” questões “sensíveis”, o projeto ganhou mais apoio entre a comunidade agrícola do que outras reformas de imigração.

“É muito importante aprovar alguma coisa porque a escassez de mão de obra na agricultura está piorando a cada ano. É muito difícil saber exatamente o que vai acontecer, mas, pelo menos em termos de número anual de trabalhadores, eliminaria algumas das mais prementes questões como o fato de os trabalhadores poderem ficar aqui o ano todo, então é uma coisa útil”, disse o professor.

De 2014 a 2016, cerca de metade dos mais de três milhões de trabalhadores rurais não tinha status de imigração, de acordo com uma pesquisa do Departamento de Agricultura, embora admitindo em seu relatório que o número provavelmente não é abrangente devido ao medo das pessoas em relatar o status de imigração.

Gutierrez-Li disse que isso abrirá o programa para imigrantes indocumentados que podem obter status legal por meio de seu trabalho.