Um programa criado no Rio Grande do Sul para enfrentar crimes sexuais contra crianças e adolescentes ganhou projeção internacional e passou a ser citado como referência em ações de proteção à infância.
O “Libertar”, desenvolvido pela Polícia Civil gaúcha e idealizado pela escrivã Bianca Benemann, foi apresentado em um evento da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, como um modelo de atuação que vai além da prevenção e inclui a identificação ativa de vítimas.
A iniciativa leva palestras a escolas públicas e privadas para orientar estudantes sobre violência sexual, tanto no ambiente físico quanto no digital. Durante as atividades, os agentes também abrem espaço para relatos individuais, o que, segundo a coordenação do projeto, tem permitido o surgimento de denúncias que muitas vezes não chegariam às autoridades por outros canais.
Desde a criação, em 2023, o diferencial do “Libertar” está na chamada “busca ativa”: ao invés de atuar apenas de forma reativa, o programa identifica possíveis vítimas ainda dentro do ambiente escolar e aciona imediatamente a rede de proteção quando há confirmação de violência.
Para os responsáveis pelo projeto, o principal avanço está em romper o silêncio e ampliar o acesso das vítimas a canais de denúncia, especialmente em casos em que o abuso ocorre de forma prolongada e sem comunicação às autoridades.
