Rebelião em presídio termina com pelo menos 56 mortos em Manaus (AM)

Esse é o segundo pior massacre de presos depois do Carandiru em 1992 quando morreram 111 presos

0
2732
Presídio onde ocorreu o massacre em Manaus
Presídio onde ocorreu o massacre em Manaus

Cinquenta e seis presos foram assassinados no Compaj – Complexo Penitenciário Anísio Jobim – , em Manaus (AM), depois de uma rebelião que durou mais de 17 horas entre o dia 1 e 2 de janeiro. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a motivação para o massacre foi uma guerra entre facções rivais pelo controle de tráfico de entorpecentes em Manaus. A facção conhecida como FDN (Família do Norte) teria atacado membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). O regime fechado do Compaj tem capacidade para 454 presos e abrigava 1.224. Um excedente de 770 presos. O regime semiaberto do mesmo presídio onde ocorreu a rebelião, com capacidade para 138 presos, contava com 602 antes dos assassinatos. Neste setor, o excedente era de 464 presos. O complexo está localizado no km 8 da BR-174, na capital do Amazonas.

“Na negociação, os presos exigiram praticamente nada. Apenas que não houvesse excessos na entrada da PM, coisas que não iriam ocorrer mesmo. O que acreditamos é que eles já haviam feito o que queriam, que era matar essa quantidade de membros da organização rival e a garantia que não seriam agredidos pela polícia. A FDN massacrou os supostos integrantes do PCC e outros supostos desafetos que tinham naquele momento. Não houve contrapartida da outra facção”, declarou o secretário Sérgio Fontes.

“Infelizmente, isso não é só nosso. Talvez um número um pouco maior que nos outros Estados. Mas ocorreu recentemente em outros presídios do Acre, Rondônia, Roraima e Estados do Nordeste. Exige uma medida de caráter nacional. Para tratar juntos desse problema.”

Esta é a segunda rebelião mais letal da história do sistema prisional brasileiro, ficando atrás apenas do Massacre do Carandiru, ocorrido em São Paulo em 1992, no qual 111 presos foram assassinados pelas tropas da Polícia. O juiz Luís Carlos Valois, que esteve no Compaj para negociar o fim da crise disse que viu muitos corpos e que era difícil precisar o número de mortos “pois muitos estavam esquartejados”. “Nunca vi nada igual na minha vida, aqueles corpos, o sangue”, afirmou. No domingo seis detentos foram decapitados e tiveram seus corpos arremessados para fora da unidade. Para as autoridades, o grau de crueldade com que os presos foram mortos são um sinal de que a intenção foi mandar um recado para os rivais. Vídeos com pilhas de corpos esquartejados e carbonizados empilhados dentro do Compaj circularam na Internet. Uma das imagens era a de uma cabeça decapitada ao lado de um coração. (Com Uol e El País).

Corpos de detentos foram empilhados
Corpos de detentos foram empilhados