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Registro de filhos brasileiros dispara nos EUA em meio à pressão migratória

Mais de 21 mil pedidos foram feitos nos consulados brasileiros em 2025, quase quatro vezes o número registrado em 2021.

Os 29 países do Espaço Schengen passarão a usar os dados coletados para controlar o tempo de permanência de brasileiros na região (Foto: Agência Brasil)
A procura pelo registro de filhos de brasileiros nascidos nos EUA aumentou 271% entre 2021 e 2025. Boston, Nova York e Miami registraram alguns dos maiores saltos. Foto: Agência Brasil

Os consulados brasileiros nos EUA registraram recorde de pedidos de registro de nascimento de crianças nascidas no país com pelo menos um dos pais brasileiros. Foram mais de 21 mil solicitações nos 11 consulados-gerais em 2025, contra 5.660 em 2021, aumento de 271%. A alta foi registrada em todos os postos.

Boston, Nova York e Miami concentraram os maiores volumes. Entre 2021 e 2025, os pedidos cresceram 551% em Boston, 339% em Nova York e 119% em Miami. As três cidades também estão entre as que concentram as maiores comunidades brasileiras nos EUA.

O aumento ocorre em meio ao endurecimento da política migratória americana. Segundo relatos de brasileiros e pessoas que acompanham o atendimento consular, muitos pais passaram a buscar a documentação dos filhos por receio de eventual detenção ou deportação e de possível separação familiar. O governo brasileiro, porém, não recebeu relatos de casos envolvendo brasileiros nessa situação.

Existe também uma razão prática para a corrida aos consulados. Desde 2025, cidadãos americanos precisam de visto para viajar ao Brasil. Quando os filhos nascidos nos EUA têm pai ou mãe brasileiro, o registro consular permite que eles também tenham a nacionalidade brasileira e obtenham passaporte brasileiro, facilitando viagens ou mudança para o país.

O registro é gratuito nos consulados brasileiros e pode ser feito para crianças nascidas no exterior com pelo menos um genitor brasileiro. Desde janeiro de 2025, mais de 5 mil brasileiros foram deportados dos EUA, incluindo 164 menores, segundo dados mais recentes citados pelo Ministério de Direitos Humanos e Cidadania, cenário que explica por que algumas famílias estão antecipando a documentação dos filhos.

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