Relação comercial Brasil-EUA é recorde e promissora mesmo em meio à pandemia

A parceria entre as duas nações amigas tem gerado bastante comércio bilateral neste período recente

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Porto de Miami (Foto: Pixabay)

COLABORAÇÃO – Rodrigo Fonseca*

Ao se comentar sobre comércio exterior do Brasil, o primeiro país que sobressai é a China. De fato, a China tomou a primeira posição nas trocas internacionais desde 2009. Por esse motivo, pouco destaque se dá ao fenômeno ocorrido no comércio internacional entre o Brasil e os Estados Unidos nos últimos meses.

Vale ressaltar que essa relação bilateral Brasil – Estados Unidos se torna, a cada dia, mais promissora. 

A corrente comercial, soma das exportações e importações, entre o Brasil e os Estados Unidos registrou recorde de movimentação no 1º trimestre de 2022. O montante consolidado ao longo de 2021 também havia sido o mais alto da história. Pode-se dizer que a relação comercial entre os dois países no ano passado cravou um recorde triplo: o maior valor exportado aos Estados Unidos, o maior valor importado desse país e o maior volume de comércio exterior.

As exportações para os Estados Unidos de janeiro a março de 2022 cresceram 35,3%, atrás apenas de todo o bloco da União Europeia, que cresceu 42,8%, segundo a SECEX – Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em 2021, as exportações para os Estados Unidos alcançaram o maior valor histórico de $31,1 bilhões, representando aumento de 45% em relação a 2020. 

As importações bateram o recorde de $39,4 bilhões, correspondendo à elevação de 41,3% na comparação com o período anterior. A soma dos dois valores compõe a corrente de comércio de $70,5 bilhões, incremento de 42,9% sobre 2020.

A indústria é fator primordial para aumento da corrente comercial entre esses dois países. 

Os produtos industriais são os principais itens das trocas com os Estados Unidos. Os três maiores em volume financeiro foram:

• Semiacabados de ferro e aço ($4,5 bilhões)

• Petróleo bruto ($3,1 bilhões)

• Aeronaves e suas partes ($1,5 bilhão)

As importações provenientes dos Estados Unidos cresceram 40,8% no primeiro trimestre deste ano, representando o maior crescimento proporcional em relação ao mesmo período do ano anterior. Em segundo lugar, as compras vindas da China apresentaram aumento de 39,2%.

Pelo lado das importações, a pandemia e a crise hídrica no ano passado provocaram efeitos incomuns, com a compra do equivalente a $3,3 bilhões de gás natural e de $2,3 bilhões de vacinas dos Estados Unidos. 

Fatores inesperados, mas que confirmam as boas relações diplomática e comerciais entre as duas potências.  

Os principais produtos comprados dos Estados Unidos em 2021 foram:

• Combustíveis de petróleo ($7,4 bilhões)

• Motores não elétricos ($3 bilhões)

• Aeronaves e suas partes ($1,2 bilhão)

Os Estados Unidos continuam sendo o segundo parceiro comercial do Brasil com folga. Em terceiro lugar, a Argentina aparece com aproximadamente um terço da movimentação comercial que o Brasil tem com os americanos. 

O que demonstra a disparidade na relação comercial, a sua importância e, se houver interesse por parte do Brasil, um forte alicerce para a competitividade do nosso país, diante de cenário global econômico e político tão incerto e duvidoso. 

A condição de ser o segundo maior parceiro comercial em nada diminui o brilho vindo das oportunidades de negócio: a maior estabilidade econômica e política, a proximidade geográfica e cultural além de outros fatores que alimentam um relevante potencial de expansão entre os dois países.

Apesar de o Brasil ser a potência que é na produção de commodities e alimentos em geral, a demanda dos Estados Unidos ajuda a reforçar os investimentos na produção industrial brasileira.

Os gráficos abaixo ajudam a entender a evolução dos produtos de diferentes setores.

Gráfico demonstrando os volumes de importações e exportações (Fonte: AMCHAM)
Gráfico demonstrando os volumes de importações e exportações (Fonte: AMCHAM)
Aqui está a configuração sobre a evolução dos produtos negociados (Fonte: AMCHAM)
Aqui está a configuração sobre a evolução dos produtos negociados (Fonte: AMCHAM)

Evidentemente que as oscilações dos volumes comerciais entre países são derivadas das condições econômicas individuais e global. No entanto, há fatores a destacar que podem explicar a elevação da corrente comercial com os Estados Unidos desde 2016 e que podem ser tomados como impulsionadores para a continuidade do movimento no futuro. 

Um deles é a entrada em vigor do Protocolo sobre Regras Comerciais e Transparência, negociado no âmbito do Acordo de Comércio e Cooperação Econômica (ATEC, em inglês), que disciplina a facilitação do comércio, práticas regulatórias e medidas anticorrupção. O instrumento foi celebrado pelos governos brasileiro e americano em outubro de 2020.

Outra expectativa é o da aprovação do reconhecimento mútuo de Operadores Econômicos Autorizados (OEA) entre a Receita Federal do Brasil e a Autoridade de Aduanas e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos. A certificação OEA é o reconhecimento da autoridade oficial do país da capacidade do agente de comércio exterior em gerir riscos referentes à segurança física das cargas e de atendimento às normas tributária e aduaneira.

A Secex estima que a corrente de comércio em 2022 atinja $586 bilhões no total, sendo as exportações de aproximadamente $348 bilhões e importações de $237 bilhões. Se confirmados, os números gerarão superávit comercial para o Brasil de $111 bilhões.

É preciso que a lupa continue na agenda bilateral entre Brasil e Estados Unidos. 

A expectativa para as empresas brasileiras é bastante animadora. Como parte da tendência de crescimento das relações comerciais, os Estados Unidos ocupam a importante posição de segundo maior parceiro do Brasil. 

Em um cenário internacional difuso, incerto, as relações comerciais que favorecem cultural, geográfica e politicamente o Brasil, como ocorre na relação com os Estados Unidos, aceleram diversos segmentos da nossa economia.

*Diplomata