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Remessas de dinheiro do exterior para o Brasil disparam em 2022; brasileiros nos EUA são os que mais enviam

Na cidade mineira de Governador Valadares, por exemplo, famosa pela quantidade de famílias que tem parentes nos EUA, a entrada de dólares já atingiu 25% da arrecadação municipal

Dólar cai e bolsa sobe diante de cenário positivo no Brasil (foto: Envato)

Em 2022, o Banco Central do Brasil registrou a maior remessa de dinheiro vinda do exterior nos últimos 30 anos: 4,7 bilhões de dólares no total. No final da década de 90, o valor era pouco menos de um bilhão. Os imigrantes brasileiros que moram nos Estados Unidos, mais uma vez, foram os campeões em transferências de recursos para o país natal no ano passado: $2,32 bilhões, 11% a mais que em 2021. Os conterrâneos no Reino Unido vêm logo atrás, com $462 milhões; e Portugal fica em terceiro, com $375 milhões. Na sequência vem Suiça, Espanha, Alemanha, França, Itália, Japão e Canadá.

Segundo especialistas da área econômica, esses indicadores refletem fatores como o aumento de pessoas que deixam o Brasil em busca de melhores oportunidades no exterior, e a dependência das famílias que ficam. O enfraquecimento do real diante do dólar e do euro também é um ponto observado . “Quando o dólar no Brasil está caro, está elevado, fica ainda mais vantajoso, porque na conversão, a pessoa que recebe o dinheiro no Brasil, recebe mais”, destacou o analista financeiro Fernando Nakagawa, da CNN.

Em 30 de dezembro de 2022, também começou a vigorar a nova lei cambial, que aumentou de dez mil reais para dez mil dólares o valor em espécie que não precisa ser declarado por viajantes que entrem ou saiam do Brasil. Além disso, a legislação agilizou o processo de operações de baixos valores, até $50 mil. Trata-se, principalmente, de valores enviados por trabalhadores imigrantes para familiares e amigos. O tempo para transferência do recurso ficou menor e a transação mais simples.

Algumas regiões do país, como a cidade mineira de Governador Valadares, por exemplo, famosa pela quantidade de moradores que têm familiares nos Estados Unidos, a economia oscila de acordo com a cotação do dólar.  Sem indústria relevante, o município de 280 mil habitantes na região do Vale do Rio Doce, vive basicamente do comércio e dos serviços, sustentados pelo dólar. Em uma reportagem de 2016, o AcheiUSA apurou que a entrada de dólares em Governador Valadares já atingiu o pico de 25% da arrecadação do município.

Nesta quinta, o Banco Central divulgou também que os gastos de brasileiros no exterior mais que dobram em 2022 e chegam a R$ 60 bilhões.

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