Sheriff de Broward defende maior restrição de armas para pessoas com doenças mentais

Chefe de polícia do condado onde ocorreu o atentado que matou cinco pessoas no aeroporto de Fort Lauderdale diz ao jornal Sun-Sentinel que "alguma coisa tem que mudar."

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Scott Israel

Em entrevista ao jornal floridiano Sun-Sentinel no domingo (8), dois dias depois que um atirador abriu fogo e matou cinco pessoas no aeroporto de Fort Lauderdale, o chefe de polícia do condado de Broward, sheriff Scott Israel, disse que pessoas com problemas mentais não deveriam ter acesso a armas.

“Alguma coisa tem de mudar”, disse Israel, cujo departamento investiga as razões porque Esteban Santiago, de 26 anos, teria cometido o crime. Santiago deve se apresentar hoje (segunda-feira, 9) diante de um juiz. Além das cinco vítimas fatais, outras seis pessoas foram feridas.

“Uma pessoa que sofre de doenças mentais, em minha opinião, não pode ser autorizada a comprar, possuir ou portar uma pistola, rifle ou qualquer arma de fogo. Pessoas com condenações, a mesma coisa. Pessoas que estão uma lista de barrados para voar, mesma coisa.”, disse o sheriff. “Não deveríamos vender armas para eles e nem permitir que eles as portem.”

Israel convocou os políticos para a ação.

“Eles estão cansados de enterrar americanos por causa desses assassinatos em massa”, disse. “Precisamos tirar as armas das mãos das pessoas que sofrem de doenças mentais.”

O chefe de polícia não especificou de que forma isso deve ser feito, mas afirmou na entrevista que pessoas diagnosticadas com problemas com mentais “devem ser postas em alguma espécie de lista que proíba o porte de armas para quem estiver nela.”

A lei do estado da Flórida já reza que toda pessoa que tenha sido declarada mentalmente deficiente ou que tenha sido internada em alguma instituição psiquiátrica por ordem judicial não pode comprar armas, e que ninguém declarado mentalmente incompetente pode portá-las.

O sheriff mostrou compaixão pelas pessoas com problemas mentais.

“Essa pessoas não são o problema. São pessoas com graves problemas.”

Israel não participou do interrogatório de Santiago, mas disse que conversou com os detetives e com o FBI.

“[Santiago] disse que estava sendo controlado. Falou sobre um chip que teria sido implantado na sua cabeça e falou que foi obrigado a assitir a vídeos do ISIS e coisas dessa natureza”, disse o chefe. “Depois, falou sobre ter sido recrutado pelo ISIS.”

De acordo com o jornal, George Piro, o chefe do escritório do FBI em Miami, disse que ainda é muito cedo para considerar o caso como um ato terrorista, mas a agência não descarta essa possibilidade.

O sheriff Israel deve reunir-se com outras autoridades policiais e com a companhia aérea para decidir se a segurança nos aeroportos precisa ser reforçada além dos atuais pontos de checagem, mas acrescentou ser “impossível” proteger todas as grandes áreas públicas do país.

“Alguma coisa aconteceu na vida [de Santiago] que detonou o comportamento violento que gerou o assassinato em massa’, disse Israel ao Sentinel.

A investigação ainda não sabe a razão da escolha do aeroporto para a ação de Santiago.

“Não sabemos ainda por que ele escolheu Fort Lauderdale”, concluiu o sheriff.