Suprema Corte está dividida sobre ordens executivas de Obama

Advogados favoráveis e contrários às medidas apresentaram argumentos; veredito deve sair em junho deste ano

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Manifestantes em frente à Suprema Corte
Manifestantes em frente à Suprema Corte

Da Redação com CNN –  Nesta segunda-feira (18), os juízes da Suprema Corte ouviram os argumentos das partes favoráveis e contrárias às ordens executivas imigratórias – embargadas por um juiz do Texas há um ano e dois meses e que beneficiariam 4 milhões de indocumentados – do presidente Obama e se mostraram divididos. Para os especialistas, se as ordens executivas anunciadas em novembro de 2014 forem aprovadas, esse será o grande legado do governo Barack Obama.

Juízes conservadores questionaram a autoridade de Obama para usar ordens executivas para proteger quatro milhões de imigrantes da deportação. O presidente da Suprema Corte, John Roberts, e o juiz Samuel Alito demonstraram preocupação com a o fato de as ordens de Obama contradizerem as leis imigratórias vigentes.

“Como é que é possível trabalhar legalmente nos Estados Unidos sem estar legalmente nos Estados Unidos?”, questionou o juiz Alito. Roberts acrescentou: “Eles serão legalizados e ainda assim estarão violando a lei? ”.

A magistrada Ruth Bader Ginsburg reafirmou que existem 11.3 milhões de estrangeiros sem documentos no País e o Congresso aprovou fundos para a remoção de cerca de 4 milhões. “Prioridades têm que ser colocadas”, disse. Já a juíza Sonia Sotomayor disse que não há recursos para deportar todos os imigrantes. “Eles estão aqui no País, quer vocês queiram ou não”, disse a juíza.

O  advogado Scott Keller representando o estado do Texas, que lidera a demanda, insistiu que o Congresso é o único órgão legal que deve autorizar o presidente Obama a criar qualquer lei de imigração e reiterou que as ações executivas não têm base legal.

Já o advogado do governo, Donald Verrilli, disse que a questão imigratória é muito maior do que dar carteiras de motorista para imigrantes indocumentados. E reiterou que,  com o atual Congresso controlado pelos Republicanos, não haverá reforma imigratória “até que que os eleitores escolham representantes favoráveis aos imigrantes.”

Todos os olhos estão voltados para o magistrado Roberts que no passado, apesar de ser conservador, foi favorável a medidas polêmicas democratas, como o Obamacare.

A Câmara dos Deputados também teve um pequeno espaço para argumentar antes dos oito juízes que irão deliberar sobre o caso. Quatro juízes Democratas estão a favor das ordens executivas e outros quatro estão contra. O impasse permanece até junho quando deve sair o veredito final.

Manifestações

Imigrantes indocumentados e ativistas das causas imigratórias estiveram em frente à Suprema Corte para se manifestar. Nancy Garcia, cidadã americana, estava protestando junto a um grupo de imigrantes que vive em Wisconsin. Ela disse que se tornou ativista por perceber que congressistas estão contra os imigrantes. “Os imigrantes não são estupradores, traficantes, bandidos. São pessoas de bem”.  Grupos de americanos também foram protestar contra as ordens de Obama.