Surto de dengue na região da Flórida Keys preocupa autoridades de saúde

A primeira notificação de dengue na região foi em março, coincidindo com a chegada da pandemia COVID-19. Atualmente, quase 70 casos estão confirmados.

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O Aedes aegypti também é o transmissor do Zika, Chikungunya e outras doenças (foto: Wikimedia)
O Aedes aegypti também é o transmissor do Zika, Chikungunya e outras doenças (foto: Wikimedia)

Na última semana, cerca de 11 novos casos de dengue foram detectados por testes de anticorpos realizados em moradores da região de Cayo Largo, na Flórida Keys. No início deste mês outros  26 casos da doença transmitida pelo Aedes aegypti haviam sido confirmados.

A primeira notificação de dengue na região foi em março, coincidindo com a chegada da pandemia COVID-19.  Atualmente, quase 70 casos estão confirmados.

De acordo com a Florida Health Department, desde 2009 um número tão elevado da doença não havia sido relatado. Naquele ano, houve um surto em Key West que durou até 2010 e apresentou 22 casos no primeiro ano,  e 66 no segundo.

Em 2019,  1.538 pessoas morreram em decorrência da dengue nos EUA,  segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Aedes aegypti também é o transmissor do Zika, Chikungunya e outras doenças virais que matam milhares de pessoas a cada ano em todo o mundo.

Informação do Distrito de Controle de Mosquitos de Florida Keys (FKMDC) indica que Monroe County abriga mais de 45 espécies de mosquitos.

Esperanças no mosquito geneticamente modificado 

Em julho passado , a empresa de biotecnologia Oxitec anunciou avanços nas negociações com o Departamento de Agricultura e Serviços ao Consumidor da Flórida para liberar  milhões de mosquitos Aedes aegypti machos, feitos em laboratório, em todo o condado de Monroe.

O projeto consiste em liberar os machos modificados em nas áreas mais infestadas (os machos não picam as pessoas) e esperar que eles cruzem com as fêmeas selvagens já presentes no ambiente. Os descendentes herdam os genes inseridos e morrem antes de chegar à fase adulta, diminuindo, portanto, a população do transmissor da dengue.

Este experimento já foi utilizado na Malásia, no Caribe e em algumas cidades brasileiras.

Resistência

A Oxitec, que foi fundada no Reino Unido, vem tentando liberar seus mosquitos na Flórida Keys há mais de cinco anos. A proposta é sempre recebida com uma mistura de apoio e resistência pela população e lideranças ambientais. 

“As pessoas aqui na Flórida não consentem com os mosquitos [geneticamente modificados] ou com experiências humanas”, disse Barry Wray, diretor-executivo da Florida Keys Environmental Coalition, em um comunicado divulgado em 20 de julho. “Estamos exigindo ciência sólida, não propaganda exagerada. É fundamental priorizar as alternativas naturais de menor risco, mais ambientalmente sustentáveis, e de menor custo ” concluiu.

O experimento, se aprovado pelo distrito da Flórida Keys, seria custeado pela Oxitec e, com base no sucesso ou fracasso do programa,  a Oxitec planeja vender a tecnologia para os EUA.