Terrorista revela que jogaria avião na Casa Branca

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Defesa de Moussaoui alegou que al-Qaeda instrui membros a mentir

O francês Zacarias Moussaoui revelou ontem (27/03) que deveria pilotar um quinto avião seqüestrado no 11 de Setembro e atirá-lo na Casa Branca com a ajuda do britânico Richard Reid, conhecido como “homem do sapato-bomba” por tentar explodir um avião de passageiros da American Airlines com um explosivo em seu sapato em dezembro de 2001. Único processado pelos atentados até agora nos Estados Unidos, Moussaoui admitiu que sabia do complô para derrubar o World Trade Center e disse que estava esperando há quatro anos para contar sua história.

As revelações de Moussaoui foram feitas na fase de sentença do julgamento em que ele já foi condenado por participar do 11 de Setembro. Ele depôs contra a vontade de seus advogados, cujo trabalho desfez na maior parte em seu testemunho de ontem.

A defesa tentou impedir que ele falasse alegando que a al-Qaeda instruía seus membros a mentirem, mas a juíza Leonie Brinkema concordou com o depoimento após Moussaoui jurar que diria a verdade. Já condenado, a decisão do tribunal agora é se será ou não aplicada a pena de morte, pedida pela promotoria sob a alegação de que se ele não tivesse mentido ao ser preso, os atentados do 11 de Setembro poderiam ter sido evitados. Alguns familiares de vítimas dos atentados estavam presentes no tribunal.

As novas informações contradizem o que Moussaoui afirmara ao declarar-se culpado no ano passado, alegando que não deveria ser parte das tripulações suicidas. O francês disse que ao ser preso em 16 de agosto de 2001 – pouco menos de um mês antes dos atentados – não sabia a data precisa dos ataques, mas já estava informado de que as Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York estariam entre os alvos. “Eu tinha conhecimento de que as duas torres seriam atingidas, mas não sabia os detalhes”, afirmou.

Seu suposto cúmplice no seqüestro de um quinto avião, Reid foi dominado por passageiros e preso ao tentar explodir um sapato-bomba num vôo da American Airlines entre Paris e Miami e condenado à prisão perpétua em janeiro de 2003. Desde então, ele mandou pelo menos uma carta a Moussaoui na prisão.

Francês disse conhecer todos os terroristas do 11/9 – O francês disse no tribunal que foi abordado pela primeira vez para ser um piloto suicida num atentado nos EUA em 1999, mas na época não mostrou interesse. Segundo ele, foi apenas em 2000 que concordou em participar do plano após ter um sonho em que conversava com o líder terrorista Osama bin Laden. Moussaoui confessou conhecer, pelo menos de vista, todos os 19 terroristas do 11 de Setembro, mas disse não ter encontrado nenhum deles nos Estados Unidos.

O terrorista francês, no entanto, negou ser um dos figurões da rede terrorista al-Qaeda, dizendo-se “apenas um membro de nível intermediário”. Ele afirmou ter passado três anos e meio em campos de treinamento da al-Qaeda no Afeganistão, onde se tornou especialista em bombas.