Ciência e Tecnologia Geral Jorge Nunes

“That’s one small step for man…

Edwin ‘Buzz’ Aldrin, segundo homem a pisar na lua, fotografado por Neil Armstrong, comandante da Apolo 11. (Foto: Neil Armstrong/NASA)

Eu tinha oito anos no dia 20 de julho de 1969, quando Neil Armstrong se tornou o primeiro homem a pisar na lua. Lembro da família toda grudada no aparelho de TV, de onde vinham umas imagens borradas e cinzentas, supostamente direto da lua. Humberto, meu avô postiço do segundo casamento da minha avó Pilar, foi com certeza um pioneiro das teorias conspiratórias, porque assim que a transmissão acabou ele apontou um dedo para a TV e decretou:

— Isso é armação dos americanos.

Aos sessenta e tantos anos, de uma geração que nasceu antes até da televisão, o feito da Apolo 11 foi demais para ele. No pequeno debate familiar que veio logo depois da transmissão Humberto foi voto vencido, e todo mundo concordou que era mesmo verdade – o homem tinha acabado de chegar à lua pela primeira vez na história, e nós vimos tudo ao vivo.

Para mim aquilo era normal, meus oito anos não me deixavam duvidar de coisa alguma. Além disso, estimulado pela coleção Enciclopédia Científica Life que ganhei do meu pai, acompanhava a corrida espacial desde a Apolo 8, a primeira nave tripulada que contornou a lua, oito meses antes do pouso da Apolo 11. A coleção da Life tinha dois volumes que eu gostava mais: Os Planetas e O Homem e o Espaço, este último obviamente sobre a conquista do espaço, que começou com o satélite soviético Sputnik, lançado doze anos antes, em 1957, antes de eu nascer. Portanto, ainda que me fascinasse a aventura da Apolo 11, eu estava mais ou menos preparado para ela e via o pouso na lua como uma coisa perfeitamente natural.

O efeito mais interessante que a viagem da Apollo 11 causou em mim foi que ela acabou inspirando minha primeira publicação. Juntei umas folhas de papel, dobrei ao meio, grampeei e lancei em casa uma revista batizada de O Homem na Lua, com textos, ilustrações e até anúncios. A edição única do único exemplar da O Homem na Lua circulou entre a família, de quem eu cobrava uma assinatura, paga em balas ou chocolate. Não sei que fim levou essa única edição da O Homem na Lua, infelizmente. Merecia uma reedição.

Também por causa da Apolo 11 decidi que seria astronauta quando crescesse. Pelo menos até ganhar um brinquedo bem popular na época, chamado Engenheiro Eletrônico Philips, que tinha peças e diagramas simples para montar rádios, amplificadores e outros aparelhos rudimentares. Abandonei então a pretensão de ser astronauta e resolvi que seria engenheiro eletrônico. No final das contas, prevaleceu a atividade que não escolhi, mas que me foi inspirada pelo voo da Apolo 11: acabei virando editor, décadas depois de lançar O Homem na Lua.

Vendo hoje, entre tantas outras cretinices em voga, circularem teorias conspiratórias dizendo que o pouso da Apolo 11 foi uma farsa, só me faz pensar em duas possibilidades: ou meu avô postiço Humberto estava 50 anos à frente de seu tempo, ou então algumas pessoas de hoje estão 50 anos atrás.

… one giant leap for mankind.” – Neil Armstrong.

 

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