Trump abandona projetos imobiliários no Rio de Janeiro

Processo que apura irregularidades no financiamento do Hotel Trump e da Trump Towers na cidade faz com que organizações Trump retirem sua participação nos projetos

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Trump Hotel Rio de Janeiro
Trump Hotel Rio de Janeiro

As Organizações Trump, conglomerado que pertence ao presidente eleito Donald Trump, estão retirando sua participação no projeto de um hotel no Rio de Janeiro, poucas semanas depois da abertura de um processo federal que investiga irregularidades em diversos empreendimentos no país, informou o The New York Times.

A investigação visa vários investimentos no Brasil que estariam relacionados ao pagamento de propinas associadas à realização de empreendimentos comerciais.

O processo cita o Trump Hotel Rio de Janeiro e o projeto da Trump Towers.

Uma porta-voz do Trump Hotels disse em nota que a decisão de abandonar o projeto no Rio foi feita por causa de problemas na construção do prédio de 13 andares, inaugurado em agosto, e ainda com alguns andares inacabados.

“Infelizmente, os incorporadores do Rio de Janeiro estão muito atrasados no acabamento da propriedade, e sua visão do hotel não mais se ajusta à marca dos hoteis Trump”, disse a porta-voz Jennifer Rodstrom, ao The New York Times.

O hotel usa o nome de Trump, e a organização tem administrado a propriedade, mas não possui participação no hotel, que pertence à LHS Barra, uma empresa brasileira com sede no Rio.

Os negócios do presidente eleito estão passando por um rogoroso escrutínio em todo mundo. Os empreendimentos têm preocupado por causa de um possível conflito de interesses que pode surgir entre as atividades empresariais de Trump e seus deveres como presidente.

Pelo menos uma repartição federal, o Office of Government Ethics, disse que Trump precisa afastar-se de seus emprendimentos para eliminar os potenciais conflitos.

O hotel é uma ideia do empresário Paulo Figueiredo Filho, neto do ex-presidente João Figueiredo, último militar da ditadura a governar o país.

O promotor federal Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, de Brasília, abriu o inquérito criminal em outubro, citando $40 milhões em investimentos no hotel feitos por dois pequenos fundos de pensão brasileiros, um de uma estatal da área tecnológica e o outro dos funcionários públicos de Tocantins.

O processo averigua se as Organizações Trump se beneficiaram de alguma forma com aportes financeiros aos projetos oriundos da Caixa Econômica Federal.

A LHS Barra não respondeu aos pedidos de contato do NYT. Figueiredo Filho mora nos Estados Unidos. Sobre o recuo de Trump no empreeendimento, o empresário disse em nota que “minha admiração por Donald Trump, com quem compartilho muitas ideias e a quem apoiei entusiasticamente durante a campanha, não mudou em um milímetro.”

A reportagem do NYT diz que não está claro o futuro do hotel.