O presidente Donald Trump anunciou uma mudança radical na política comercial do setor de saúde ao oficializar a cobrança de tarifas de até 200% sobre a importação de medicamentos genéricos. A medida, comunicada por Trump em sua rede social, a Truth Social, extingue a isenção tributária para o segmento.
O plano prevê que a implementação seja feita em três etapas, com um período de transição de alíquota zero até agosto de 2028. Em seguida, a taxa subirá para 100% por um ano, atingindo o teto de 200% a partir de agosto de 2029.
De acordo com o presidente, a medida visa estimular as farmacêuticas a instalarem fábricas e comprarem equipamentos nos Estados Unidos. Ele ainda ressaltou que haverá penalidades para as companhias que mantiverem a produção fora do país.
Atualmente, os medicamentos genéricos correspondem a cerca de 90% de todas as prescrições médicas nos Estados Unidos, e aproximadamente 70% desses remédios são importados. A Índia é a principal fornecedora do mercado americano, respondendo por quase metade do volume consumido no país, com exportações anuais que superam $ 10 bilhões.
Os medicamentos patenteados e de alto custo negociaram termos e contrapartidas específicas com Washington. Já os genéricos operam com margens de lucro reduzidas, frequentemente em dígitos únicos. Diante dessa estrutura de custos, especialistas apontam que a incidência de tarifas superiores a 100% inviabiliza a absorção da taxa pelos fabricantes, resultando no repasse direto aos preços ao consumidor ou na suspensão do fornecimento.
Outro entrave apontado pela indústria é o fator tempo. A construção de fábricas para a síntese química de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), somada aos processos de certificação da Food and Drug Administration (FDA), exige prazos que variam de três a cinco anos, ou seja, um intervalo superior à janela de carência concedida pelo governo.
