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Trump indica Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve

Parlamentares da oposição tendem a explorar sua proximidade com a retórica crítica do presidente em relação ao banco central

Kevin Warsh construiu sua reputação atuando fortemente nos bastidores da política monetária durante um dos momentos mais turbulentos da história recente do sistema financeiro (Foto: Reprodução Youtube)
Kevin Warsh construiu sua reputação atuando fortemente nos bastidores da política monetária durante um dos momentos mais turbulentos da história recente do sistema financeiro (Foto: Reprodução Youtube)

O presidente Donald Trump anunciou na sexta-feira (30) a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed). Caso seja aprovado pelo Senado, ele assumirá o cargo em maio de 2026, ao término do mandato de Jerome Powell, em um cenário de fortes disputas políticas e econômicas sobre o futuro dos juros, da inflação e da independência da autoridade monetária.

Trump afirmou que seu indicado promoverá uma “mudança de regime” no Fed, expressão que sintetiza a insatisfação presidencial com a atual condução da política monetária, frequentemente criticada por ele por manter taxas de juros elevadas por um período prolongado.

Do ponto de vista técnico, Warsh tem defendido ao longo dos anos que a alta dos preços é, essencialmente, consequência de decisões do banco central e que é preciso agir com disciplina para preservar a estabilidade monetária, mesmo que isso implique custos de curto prazo para o crescimento.

Além disso, o indicado de Trump já argumentou que programas de compra de ativos e estímulos prolongados distorcem os mercados, reduzem a eficiência do sistema financeiro e criam dependência excessiva de liquidez. Nesse sentido, defende uma redução gradual, porém consistente, do tamanho do balanço da autoridade monetária.

Politicamente, a indicação reacende o debate sobre a independência do órgão. Críticos apontam que a escolha do economista pode representar uma tentativa de maior alinhamento entre o banco central e a Casa Branca, especialmente diante das pressões recorrentes do presidente por uma política monetária mais favorável ao crescimento econômico e ao mercado de ações.

No Congresso, parlamentares da oposição tendem a explorar sua proximidade com a retórica crítica do presidente em relação ao banco central, enquanto aliados do governo ressaltam sua experiência técnica e seu histórico durante a crise financeira de 2008.

Warsh tem uma formação acadêmica sólida, com foco em política pública, direito e economia, combinada com ampla experiência em mercados financeiros e política econômica. Ele integrou a direção do Fed entre 2006 e 2011, período que abrangeu a crise financeira global de 2008. Foi indicado originalmente pelo republicano George W. Bush e mantido no início do governo Barack Obama.

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