Imigração Manchete

Trump quer restringir green cards a imigrantes que utilizam assistência pública e pode afetar solicitantes de cidadania

A iniciativa prevê ainda que oficiais de imigração possam considerar fatores de risco que vão além do uso comprovado de benefícios públicos

Vítimas dizem que empresa transmitia confiança, fazia promessas de regularização imigratória e realizava cobranças sucessivas ao longo do processo (Foto: USCIS)
Escritórios ficam sobrecarregados enquanto candidatos dizem enfrentar mais perguntas e medo de sair do país durante o processo. (Foto: USCIS)

O presidente Donald Trump voltou a defender uma reinterpretação rígida da chamada regra do “ônus público”, medida que permitiria negar residência permanente a imigrantes que utilizam — ou que possam vir a utilizar — programas de assistência social nos Estados Unidos. A iniciativa ampliaria o escopo de benefícios considerados “desqualificantes” para incluir Medicaid, auxílio-alimentação, assistência habitacional e até alguns tipos de apoio médico preventivo.

O advogado de imigração Daniel do Toledo, do escritório LeeToledo Law, explica que, na prática, o governo retomou o uso do formulário 944 — vigente no primeiro mandato de Trump — que questiona se o solicitante utilizou algum benefício do governo federal. Como esses serviços são exclusivos para residentes permanentes e cidadãos, quem os utilizou pode deixar de ser elegível para aplicar ao green card. Outro ponto importante, segundo o especialista, refere-se aos pedidos de cidadania, que também podem ser impactados.

“Ao entrar com o pedido de cidadania, o portador do green card reabre na prática todo o seu processo migratório. Nesse momento, é feita uma nova checagem do histórico criminal, de possíveis violações de vistos e do uso de serviços públicos que talvez não tenham sido identificados durante a concessão da residência. Se a aprovação ocorreu com base na exclusão do formulário 944, o pedido de naturalização não será aprovado”, ressaltou Toledo.

A iniciativa prevê ainda que oficiais de imigração possam considerar fatores de risco que vão além do uso comprovado de benefícios públicos. Idade, nível de escolaridade, histórico médico, renda familiar e até projeções sobre capacidade futura de trabalho poderão compor a análise de cada caso. Críticos afirmam que essas mudanças prejudicarão especialmente imigrantes idosos, pessoas com deficiência, mães solteiras, jovens em início de carreira e trabalhadores de setores com baixa remuneração.

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