Um dia das mães mais que especial

Conheça a história da pequena Nicolly que enxergou e ouviu pela primeira vez depois de cirurgia em Miami

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Daiana Pereira com sua filhinha de 2 anos, Nicollly
Daiana Pereira com sua filhinha de 2 anos, Nicollly

Ana Paula Franco

O Dia das Mães de Daiana Pereira não poderia ser mais especial. Ela é mãe da pequena Nicolly, de dois anos, que começou a enxergar e ouvir pela primeira vez há pouco mais de um mês. A cirurgia conjunta foi feita por dois médicos americanos no Jackson Memorial Hospital em Miami. Elas voltaram ao Brasil há uma semana.

Nicolly nasceu com glaucoma congênito – doença grave que evolui para a cegueira e até perda dos olhos – e passou por sete cirurgias no Brasil desde que nasceu. A esperança de que ela iria enxergar algum dia não havia. A resposta dos médicos era sempre a mesma: “não tem jeito de ela enxergar, vamos operar para pelo menos tentar reduzir a pressão dos olhos para que não seja necessário retirá-los”.

Desde de que Nicolly nasceu, Diana criou a página “Princesinha Nicolly” onde posta atualizações sobra a doença, fotos e informações. Em um dos comentários, uma brasileira viu a situação da criança e contatou o Bascom Palmer Eye Institute de Miami para saber se algum médico faria uma cirurgia nos olhos da pequena. “De cinco especialistas, quatro disseram que não fariam essa cirurgia. Apenas uma médica se propôs a fazer de graça a operação, nós teríamos apenas que pagar os custos do hospital”, disse Daiana ao AcheiUSA.  A médica Alana Grajewski aceitou o desafio e marcou a cirurgia assim que a família levantou o dinheiro por meio de campanhas nas redes sociais. 

Até então, Daiana pensava que a filha não enxergava, mas que escutava normalmente. Um outro médico, o otorrinolaringologista Ramzi Younis descobriu que Nikolly escutava “como se estivesse embaixo d’água”. Ele também operou Nikolly de graça.

“Não tenho palavras para descrever a emoção de ver a minha filha enxergando e escutando. Isso foi um milagre e não poderia ter um presente melhor no dia das mães. Vai ser o primeiro dia das mães com a Ni enxergando e ouvindo”, disse Daiana que tem outros três filhos do primeiro casamento.

Solidariedade

Sem a solidariedade de médicos, enfermeiros e dos brasileiros que ajudaram angariar dinheiro para as despesas da viagem e da cirurgia nada seria possível. Daiana vive numa pequena cidade de Santa Catarina chamada Balneário Piçarras e contou com a ajuda de diversas pessoas para conseguir viajar para Miami que é uma cidade cara. “Conseguimos angariar 16 mil dólares por meio de doações e da Fundação Kevin Garcia. Os médicos operaram de graça e todas as despesas da viagem foram pagas por meio de doações. Só tenho a agradecer o apoio de todos”.

Recuperação

De volta a Piçarras, no litoral norte catarinense, Nicolly aos poucos retoma a rotina, e vem evoluindo. “Está escutando, antes da cirurgia falava meio embaralhado, agora repete tudo, até canta em inglês com as musiquinhas dos brinquedos que ganhou nos Estados Unidos”, disse Daiana.

A visão da criança está longe de ser 100%, mas a família considera que o que aconteceu foi um “milagre”. “Se me perguntarem se o que eu senti foi Deus? A resposta sempre será sim! Porque todos que fazem parte das nossas vidas uniram sua fé a nossa para tornar tudo isso possível. O milagre da medicina quando aquilo que parecia impossível com a fé se torna real”.

Futuramente ela deverá passar por um transplante de córneas.  “Ela está usando óculos com 5 graus cada”. Para Daiana, a filha é um caso a ser estudado: “A Ni tem comportamentos diferentes, tem seu mundinho, se concentra, bate palmas com mãos e com os pés, é muito flexível. E cativa todo mundo, digo que ela não é sinônimo de um anjo, ela é um anjo”. Ela tem ficado em ambientes com pouca claridade para ir se acostumando, mas está levando uma vida normal como qualquer outra criança reconhecendo sons, cores e imagens pela primeira vez.