Universitários indocumentados já protestam contra propostas de Trump

Revogação de ordem executiva de Obama pode fazer com que mais de um milhão de jovens beneficiados pelo DACA fiquem imediatamente sujeitos à deportação

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Estudantes protestam no Voorhees Mall, perto da Rutgers University, em NJ

DA REDAÇÃO, COM THINK PROGRESS – Antecipando-se à chegada das prováveis batidas atrás de imigrantes irregulares depois da posse do presidente eleito Donald Trump, alunos de quase 80 universidades de todo país realizaram na quarta-feira (17) diversas passeatas e ocupações em protesto aos projetos do futuro presidente. Eles pedem que mais universidades e faculdades se tornem ‘santuários’ (portos-seguros) para alunos indocumentados, onde o ICE (Immigration and Customs Enforcement) não possa entrar.

Entre os campi que aderiram aos protestos, estão os do Vassar College, de New York, a Iowa State University e a University of Texas San Antonio. Os alunos aderiram ao Movimiento Cosecha, uma organização de proteção aos imigrantes.

Trump prometeu eliminas as ordens executivas de Obama para a Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), medida que permite aos imigrantes irregulares que ainda chegaram antes de 16 anos aos EUA que obtenham permissões de trabalho válidas por dois anos e proteções contra a deportação. Até o dia 30 de junho, um milhão de casos de DACA já haviam sido aprovados desde 2012, quando a ordem entrou em vigor. Trump pode simplesmente cancelar as permissões existentes quando revogar a ordem de Obama, ou deixar que elas expirem. Ainda não sabe o que ele fará.

Além de acabar com o DACA, o governo Trump pode revogar o memorando de 2014 do departamento de Homeland Security que prioriza a remoção de imigrantes que representem maior risco para a segurança nacional, como suspeitos de terrorismo e espionagem, ou condenados por crimes.

O vice presidente para política imigratória do Center for American Progress, Tom Jawetz, disse ao noticioso ThinkProgress que o programa de ação prioritária existe para traçar diretrizes de forma que o ICE possa aproveitar melhor os recursos que possui.

“Faz  sentido que, quando há recursos limitados, as ações devem ser tomadas onde seja mais importante a garantia da lei e da segurança pública. É o que todas os departamentos de segurança pública do país fazem,” Disse Jawetz.

O novo governo poderá também eliminar um outro memorando de 2011 que recomenda ao ICE não realizar buscas e apreensões em escolas, templos e igrejas, hospitais, casamentos, funerais e eventos públicos, a não ser em casos de suspeição de terrorismo.

“A ideia contida no memorando é a de que estas são instituições importantes na nossa sociedade, e não é possível desencorajar as crianças a irem para a escola porque os pais não querem levá-la”, disse Jawetz o ThinkProgress. “Não é possível que pessoas não sejam levadas para um atendimento de emergência porque têm medo de agentes imigratórios rondando as salas de emergência atrás de imigrantes irregulares”.

Renara Mauriz, aluna de política e estudos éticos na Brown University, era uma das alunas indocumentadas no protesto de quarta-feira. Ela disse ao ThinkProgress que espera que a Brown e outras universidades elaborem uma política de santuário para protegem alunos indocumentados. A Brown já trata as inscrições dos alunos indocumentados da mesma forma que trata as de americanos nativos.

A estudante disse ainda que não se surpreendeu com o resultado das eleições, dada a hostilidade que viu contra os imigrantes indocumentados e a retórica anti-imigrante de Trump. Mas diz que está particularmente preocupada com a situação de sua família no futuro governo Trump.

Mauriz espera que o protesto sirva como uma declaração simbólica de que os estudantes americanos não apoiarão políticas e retórica anti-imigrante; e que ajude a tornar mais universidades faculdades em santuários.

Quando perguntada pelo ThinkProgress o que ela sente quando se lembra de que Trump assumirá a presidência em pouco mais de dois meses, respondeu que, apesar do medo, “sinto-me inspirada e revigorada.”