Vítimas de atentado de Las Vegas não conseguem pagar a conta do hospital

Custo médio para baleados é de $100 mil e grande parte dos pacientes não tem plano de saúde

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Kurt Fowler está preocupado com a conta do hospital depois de ser vítima de tiroteio em Las Vegas
Kurt Fowler está preocupado com a conta do hospital depois de ser vítima de tiroteio em Las Vegas

DA REDAÇÃO, COM CNN – Muitas vítimas do atentado que matou 58  pessoas em Las Vegas no dia 1 de outubro, enfrentam, além do trauma de terem sido baleados e uma dura rotina de cirurgias e reabilitações médicas, uma gigantesca conta do hospital para pagar.  Um exemplo é o bombeiro Kurt Fowler, de 41 anos, que foi baleado no tornozelo e passou por duas cirurgias.

Seu plano de saúde cobrirá apenas $5 mil da conta, com uma coparticipação de 20%. E ele pode precisar ainda de outra cirurgia, sem contar os gastos com reabilitação, remédios e fisioterapia. “É um montante gigantesco e que só aumenta, mas vou tentar o meu melhor para pagar”, disse o bombeiro.

Enquanto centenas de sobreviventes do massacre ainda lutam para se recuperar fisica e emocionalmente do tiroteio, muitos começam a perceber o custo financeiro da tragédia. Mesmo quem tem plano de saúde está preocupado com o volume das despesas. Muitos terão dificuldade em retornar ao trabalho.

Segundo Garen Wintemute, que pesquisa violência relacionada a armas de fogo, o custo das despesas médicas relacionadas ao ataque em Las Vegas deve chegar a dezenas de milhares de dólares. Ao menos 546 pessoas ficaram feridas, com diferentes graus de gravidade, quando Stephen Paddock abriu fogo contra a multidão que assistia a um festival de música country na cidade.

“Não temos muita noção ao custo relacionado a uma tragédia dessas”, disse Wintemute. “Os efeitos colaterais são assustadores.”

Um estudo do Centro de Controle de Doenças estima que o custo de despesas médicas para as 100 mil pessoas baleadas todos anos nos Estados Unidos é de $2,8 bilhões. O custo de internação médio para um baleado é de $96 mil.

Num País onde não há saúde pública e luta para manter vivo o Obamacare, só resta às vítimas criarem páginas no GoFundMe para pedir ajuda para custear as despesas médicas.

“Sendo realista e sabendo como são os custos da saúde nos EUA, é assustador, mas minha filha está viva e é o que importa. Ela não está entre os 58 mortos no massacre”, disse Mary Moreland, mãe de uma jovem que passou por uma cirurgia na cabeça e está em coma.