Washington terá primeira usina de compostagem humana do mundo

Objetivo é transformar corpos, inclusive ossos e dentes, em adubo

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Restos mortais que podem ser usados como nutrientes para o solo (Foto: Washington State University)
Restos mortais que podem ser usados como nutrientes para o solo (Foto: Washington State University)

DA REDAÇÃO – O estado de Washington terá a primeira instalação funerária de compostagem humana do mundo, um método alternativo ao cemitério e ao crematório. O objetivo é transformar corpos em adubo, acelerando o processo de decomposição. Depois que o processo foi legalizado no início do ano, a previsão é já estar funcionando na primavera de 2021. A lei autoriza uma “redução natural orgânica”, isto é uma “conversão contida e acelerada de restos humanos em terra” como um meio aceitável de disposição dos corpos. Pesquisas da Universidade Estadual de Washington em parceria com uma empresa de Seattle lideraram o processo. A ideia é converter todos os restos humanos, inclusive ossos e dentes, em nutrientes para o solo.  

O método consiste em acelerar a decomposição natural. O corpo é colocado em um contêiner com palha, lascas de madeira e alfafa, onde são criadas as condições ideais de umidade e oxigenação para que as bactérias façam seu trabalho mais rapidamente, a uma temperatura entre 120,2°F e 159,8°F. Em trinta dias o corpo vira puro adubo. Segundo os pesquisadores, essa reciclagem tem menos impacto ambiental do que os enterros e cremações, muito por causa de sua capacidade de “sequestrar” o carbono atmosférico no solo. Desta forma, evita poluir as águas subterrâneas com o fluído de embalsamento e impedem as emissões de carbono da cremação e da fabricação de caixões, lápides e túmulos, segundo informações do site Superinteressante.

Este processo, no entanto, não estará disponível para todos e somente poderá ser verificado pelos médicos que atestarem o óbito. Há, porém, muita polêmica em torno da compostagem humana. A disseminação de doenças que podem se manter no adubo originado pela decomposição de um cadáver é uma delas. Mas, por outro lado, muitos defendem a ideia. “Eu espero que um dia os meus restos mortais sirvam nutrir uma árvore, de preferência a linda macieira que existe na casa da minha neta”, disse Sonia Baker, entusiasta da iniciativa.