COLABORAÇÃO / No Ângulo do Gol / Leonardo Macedo @noangulodogol
A última segunda-feira simbolizou o momento atual do futebol brasileiro. Financeiramente estáveis e com elencos amplos e fortes, o Flamengo, atual líder do Brasileirão, e o Palmeiras, segundo colocado, demonstraram novamente o grau de superioridade que têm há pelo menos seis anos. Diante de equipes que lutam contra o descenso, não deram sopa para o azar e atropelaram, com direito a uma humilhação histórica por 8 a 0 do Fla para cima do Vitória.
Mesmo com um elenco praticamente 100% reformulado em comparação à geração bicampeã continental consecutiva, o Palmeiras segue com Abel Ferreira, técnico de quase meia década no comando alviverde. Ciente de que o método mais eficaz de seguir forte não é alterando o treinador e sim, gradativamente, os jogadores, a diretoria alviverde trouxe novos nomes pesados ao clube paulista, como Vitor Roque, e está acertando a vinda do meio-campista Andreas Pereira junto ao Fulham, da Inglaterra. Há a expectativa para um encaixe do meia junto ao ataque formado por Vitor e Flaco López. Inclusive, o princípio de sucesso desta dupla comprova o quão capaz Abel é para encontrar soluções mesmo numa eventual perda de um atleta do calibre de Estêvão. Além da vitória elástica sobre o Sport, os paulistas se mantêm invictos no Brasileirão após o retorno do Mundial.
O Flamengo, observando no retrovisor um concorrente que demonstra ser perigosíssimo, sabe que terá que seguir na mesma pegada uma vez que o sarrafo tende a ser bem mais alto do que foi em 2019. E, diante do Vitória, o Rubro-Negro novamente demonstrou o porquê de ter os melhores ataque e defesa da temporada. Pedro, com hat-trick e golaços, ultrapassou a marca de 100 gols no Maracanã, Samuel Lino enfim desencantou com sua melhor atuação pelo Fla, e Arrascaeta também deixou o seu. Na era dos pontos corridos, nunca houve uma vitória tão acachapante quanto essa. A poderosa equipe de Filipe Luís, que enfim parece ter encontrado a formação ideal, deu um show de entrosamento, não perdoou as lambanças e distrações adversárias, e ampliou o saldo, que pode ser um critério decisivo, para valores praticamente inalcançáveis.
As vitórias dos líderes mantiveram seus percentuais de aproveitamento acima dos 70% (76% do Fla e 73% do Alviverde). Ambos possuem ainda partidas pendentes, o que poderá distanciá-los ainda mais do terceiro colocado, o Cruzeiro, que se encontra com 41 pontos, porém já com todos os 21 jogos disputados até hoje e 65% de aproveitamento. Ademais, a Raposa enfrentará os seus dois concorrentes fora de casa neste returno. Sendo assim, embora não se deva por ora descartar a equipe mineira como candidata, a sensação é que a batalha pelo principal troféu nacional estará novamente entre as duas maiores forças esportivas e econômicas do país cujos desempenhos em campo refletem o grande trabalho fora dele.