A morte do narcotraficante Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación, provocou uma onda de violência no México – veículos incendiados, bloqueio de estradas e vandalismo, isso sem falar na morte de dezenas de pessoas, entre civis e militares. Em meio à preocupação com o aspecto social em si, há que se pensar também nos impactos no futebol mundial. Afinal, o país é uma das sedes da Copa do Mundo da Fifa de 2026, cujo pontapé inicial está marcado para daqui a cerca de 100 dias, justamente no Estádio Azteca, entre os donos da casa e a Seleção da África do Sul. Além disso, o México sediará alguns jogos da repescagem das Eliminatórias para o Mundial: Bolívia, República Democrática do Congo, Iraque, Nova Caledônia, Jamaica e Suriname disputarão vagas para o torneio de 23 a 31 de março (daqui a poucas semanas), em Monterrey e Guadalajara, esta última a capital do Estado de Jalisco.
A entidade que comanda o futebol mundial está atenta aos problemas, mas aposta que não haverá mudanças de sede. “Estamos monitorando a situação e em contato constante com as autoridades. Temos plena confiança de que tudo será impecável, desde a segurança até a organização destas partidas”, disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Do mesmo modo, o governador de Jalisco, Pablo Lemus, minimizou as preocupações e garantiu as partidas em território mexicano. Detalhe: nos dias seguintes aos recentes confrontos nas ruas de Jalisco, a Federação Mexicana de Futebol cancelou quatro jogos da Liga MX.
Apesar das palavras de confiança, jornalistas especializados garantem que a Fifa está analisando outras opções, até porque o Governo dos EUA emitiu um alerta aos seus cidadãos em relação às viagens ao país vizinho. Algumas federações de futebol de outros países têm demonstrado inquietação com todo o cenário. “Para ser sincero, tudo isso está me deixando muito nervoso”, admitiu o presidente da federação jamaicana, Michael Ricketts. Do mesmo modo, a inquietação tomou conta de dirigentes do Velho Continente. “A segurança dos jogadores, da comissão técnica e dos torcedores é uma prioridade absoluta, e este é o principal critério para todas as avaliações e decisões referentes à realização das partidas”, afirmou em um comunicado a liderança da Federação Portuguesa, cuja Seleção tem um amistoso agendado no país, também março, contra o México.
Nunca é demais lembrar que, no início do ano, vários países europeus chegaram a cogitar a possibilidade de um boicote à Copa do Mundo (que acontecerá nos EUA, Canadá e México) por conta das declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a anexação da Groenlândia, território autônomo que pertence à Dinamarca, além das políticas de perseguição a imigrantes dentro dos Estados Unidos.
