Relatos de americanos se mudando para Portugal, México ou Alemanha têm se multiplicado nas redes sociais. Mas a ideia de que os EUA vivem um “êxodo histórico” não é sustentada por dados oficiais.
A afirmação de que o país teria registrado, no último ano, mais saídas do que entradas — o que não aconteceria desde a Grande Depressão — não tem base em estatísticas do Census Bureau. Depois da queda migratória da pandemia, os EUA voltaram a registrar migração positiva entre 2022 e 2024, impulsionada principalmente pela retomada da imigração.
Embora os EUA não mantenham um sistema abrangente e contínuo de registro da emigração dos cidadãos, estimativas indicam que entre 8 e 9 milhões de americanos vivem fora do país. O número é aproximado e inclui quem está temporariamente no exterior.
Também é real o aumento no interesse por vistos e residência em países europeus e na América Latina. Consultorias de mobilidade internacional e imobiliárias relatam crescimento nessa procura, inclusive por famílias com filhos. Entre os motivos citados estão custo de vida, segurança, polarização política e busca por melhor qualidade de vida.
Isso, porém, não representa uma reversão estrutural na migração americana. Especialistas apontam que os fluxos continuam pequenos quando comparados ao tamanho da população do país, que supera 330 milhões de habitantes.
A narrativa de um “novo sonho americano” fora dos EUA pode refletir insatisfação de parte da população. Mas, até o momento, os dados oficiais não indicam um êxodo comparável ao da Grande Depressão nem migração negativa recente.
