Contas oficiais do DHS (Department of Homeland Security) e do ICE (Immigration and Customs Enforcement) têm divulgado fotos e nomes de pessoas presas em operações migratórias, frequentemente apresentadas como criminosos perigosos. Desde março de 2025, mais de 2 mil pessoas foram destacadas em publicações quase diárias no X sobre detenções em vários estados.
Uma análise da NPR em Minnesota mostrou que, embora muitos casos envolvam crimes recentes, só cerca de um quarto das pessoas destacadas tinham condenações antigas, infrações leves ou apenas acusações pendentes. Em seis casos não havia antecedentes criminais e em 37 não foi possível confirmar registros, mostrando que nem todos os detidos destacados eram criminosos recentes ou graves.
Pesquisadores afirmam que usar as redes sociais para divulgar casos individuais de detidos é incomum e pode criar uma percepção distorcida da relação entre imigração e crime. O antropólogo Leo Chavez, da University of California, Irvine, diz que esse tipo de conteúdo provoca medo e indignação, levando o público a apoiar políticas migratórias mais duras.
Apesar da ênfase em crimes graves, os dados do ICE mostram que mais de 70% das pessoas detidas não têm histórico criminal, revelando contraste entre a narrativa das redes sociais do governo e a realidade das operações.
