O caso de Mário Cesar dos Santos Junior, de 50 anos, poderia ser qualificado como um típico 171 brasileiro. Segundo documentos processuais, ele criou uma agência federal falsa em Massachusetts, batizada de Chaplain Emergency Management Agency Inc. (CEMA), alegando que ela era certificada pelo Federal Emergency Management Agency (FEMA), a agência federal de assistência a catástrofes.
A “CEMA” oferecia cursos grátis em Orlando, Clermont e outras cidades da Flórida, que prometiam status de autoridade federal aos interessados, na maioria brasileiros. Os cursos eram gratuitos, mas o certificado de conclusão custava até $450. Depois do pagamento, os alunos ganhavam uma carteira de identidade, certificados e distintivos falsos de autoridade federal, que Mario garantia imunizá-los contra a deportação e outros problemas.
As carteiras possuíam um selo federal modificado, com a inscrição “U.S. Department of Homeland Chaplain”, e os certificados também apresentavam selos do FBI e uma versão antiga do selo da FEMA. Além dos certificados e das carteiras, Mário também vendia parafernália nas palestras que promovia para promover o esquema, como bonés, camisetas, decalques e distintivos dourados. A “CEMA” contava até com website e perfis em redes sociais, que imitavam os das agências oficiais.
A investigação federal começou em agosto de 2025, quando a FEMA recebeu uma denúncia por e-mail. O DHS, o FBI e a FEMA juntaram então forças para desmontar o esquema. Em setembro de 2025, um agente do FBI compareceu a uma palestra em Orlando usando um equipamento de gravação. Havia pelo menos 30 pessoas na reunião. Durante a palestra, Mário apresentou-se como formado em medicina em Harvard, o que não foi confirmado pelos agentes. Ele acabou indiciado em Ocala (FL) por falso uso de símbolos federais e operação de falsa agência federal.
De acordo com a investigação, Mário usava falsos testemunhos de pessoas que alegavam terem sido salvas pelo “CEMA”. Em um desses testemunhos, uma mulher relatava que o seu distintivo tinha deixado ela passar sem problemas pela segurança de um aeroporto. A mulher disse ainda que graças ao distintivo não precisou pagar por excesso de bagagem no check-in, e que uma camiseta da “CEMA” na sua bagagem de mão facilitou passagem pelo raio-x.
Mário entrou nos Estados Unidos em 2016 com um visto de turista, e estourou o tempo de presença autorizada no país. Tentou se legalizar usando vários documentos falsos, como um diploma de uma inexistente Universidade de Berkley e um “Certification of Ordination”. O pedido foi negado em 2025, segundo os documentos de investigação.
O grupo de WhatsApp da CEMA continha mais de 700 pessoas, o que dá bem uma ideia da quantidade de pessoas que caíram no golpe.
Mário foi detido por agentes do U.S. Marshals e encontra-se numa prisão federal aguardando julgamento, estando sujeito a uma pena máxima de cinco anos, ao fim dos quais poderá ser deportado.
Indiciamento não é prova de crime, e todo réu é presumido inocente até a condenação por um tribunal.
O caso foi investigado pelo Department of Homeland Security Office of Inspector General e o Federal Bureau of Investigation, com apoio material da Federal Management Agency, do departamento de fraudes do USCIS e o Federal Air Marshal Service, a cargo do promotor federal assistente Belkis H. Callaos.
