Um brasileiro natural de Pernambuco afirma ter perdido cerca de US$ 12 mil no golpe imigratório que levou à prisão de quatro pessoas na Flórida. Ele diz ainda estar em choque com o que aconteceu e relata que nunca desconfiou da Legacy Imigra, empresa envolvida no caso. A identidade das vítimas foi preservada a pedido delas.
A investigação resultou na prisão, em 23 de abril, dos brasileiros Ronaldo de Campos, Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci e Lucas Trindade Silva, apontados como líderes da agência.
A reportagem do AcheiUsa teve acesso a diversos documentos enviados pela vítima, com conversas trocadas entre ele e a equipe da empresa. Morador do Recife, o homem conta que a empresa transmitia confiança e estrutura. “Era um escritório grande em Orlando, pessoas bem vestidas, secretária muito solícita. Fiz até videochamada com eles”, relata. Segundo ele, a promessa era viabilizar o visto EB1 em até 18 meses, além da regularização da esposa e dos filhos, que entraram nos Estados Unidos como turistas.
Após cerca de seis meses de trocas de mensagens e novos pedidos de pagamento, ele decidiu retornar ao Brasil. Empresário no ramo de móveis, afirma que passou a desconfiar diante das cobranças constantes e da falta de avanços no processo.
“Estou me sentindo traído, abalado, impotente, com muita raiva. Quero fazer alguma coisa, mas não posso”, desabafa. Ele acredita que outras pessoas estejam na mesma situação, mas com medo de denunciar.
Outro caso é o de um brasileiro de Rondônia, casado e pai, que também relata ter sido enganado. Ele deixou a família no Brasil e, há três anos, decidiu tentar a vida em Jacksonville, na Flórida. Segundo ele, a indicação da Legacy Imigra veio por grupos de WhatsApp, com promessas de apoio para obtenção de Social Security e pedido de asilo.
“Todo mundo no grupo falava bem, até pastores de igrejas indicavam e aconselhavam. A gente fazia tudo por telefone”, diz. Trabalhador da construção civil, ele afirma ter perdido cerca de US$ 3 mil, enquanto familiares também foram afetados, com prejuízos que, segundo ele, chegam a US$ 10 mil no total.
A vítima diz ainda estar preocupada com o uso indevido de dados pessoais, como passaporte e informações bancárias. Ela afirma que houve tentativas de empréstimos e financiamentos não autorizados em seu nome. “Era uma cobrança sem fim e agora mesmo com as prisões, continuo recebendo emails pedindo pagamento.”
Segundo ele, mais de 200 pessoas do grupo podem ter sido afetadas. “A gente fica refém, eles têm todos os nossos dados. Se você não paga aqui, ameaçam até a família no Brasil”, afirma.

Grupos de WhatsApp revelam relatos e denúncias envolvendo a agência Legacy Immigra. (Foto/ Acervo Pessoal)
