Uma publicação da revista científica Behavioral Sciences alerta para os efeitos do uso intensivo do TikTok no funcionamento cognitivo. De acordo com o estudo, o uso frequente da plataforma altera áreas cerebrais ligadas à sensação de prazer e motivação, além de influenciar a liberação de dopamina favorecendo um ciclo de recompensa imediata que pode condicionar o cérebro a buscar estímulos cada vez mais rápidos e frequentes. Esse padrão faz com que tarefas que exigem atenção prolongada, como leitura ou atividades profissionais, se tornem mais difíceis e menos atrativas.
Além disso, a combinação de vídeos curtos, algoritmo altamente responsivo e rolagem infinita elimina pausas naturais, mantendo o cérebro em estado constante de estímulo e reduzindo o tempo de processamento entre uma informação e outra, bem como a capacidade de manter o foco por períodos mais longos. Em testes cognitivos, usuários com maior tempo de exposição ao TikTok tiveram desempenho inferior em relação aos que utilizam menos a plataforma.
A dificuldade em interromper o uso do aplicativo e a rápida alternância entre estímulos também impactam as chamadas “funções executivas”, que envolvem planejamento, autocontrole e regulação do comportamento. O fenômeno é mais preocupante entre jovens, grupo que ainda está em fase de desenvolvimento cognitivo. Nesses casos, a exposição prolongada pode influenciar padrões de comportamento e aprendizagem a longo prazo.
Embora os resultados evidenciem uma associação relevante entre o uso do aplicativo e possíveis prejuízos, pesquisadores ressaltam a necessidade de investigações adicionais sobre o impacto das redes sociais baseadas em vídeos curtos e sobre os limites do uso saudável dessas plataformas.
