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Frigoríficos brasileiros são acusados de cartel nos EUA

A diligência antitruste envolve os quatro maiores processadores de carne bovina do paí

Até o momento, não há acusações formais ou condenações relacionadas à investigação em curso. As empresas negam irregularidades e afirmam operar em conformidade com a legislação (Foto: Freepik)
Fresh red meet and butchery worker working in background.

Uma investigação conduzida pelo Departamento de Justiça (DOJ) reacendeu tensões no mercado global de alimentos e colocou no centro do debate a brasileira JBS. A apuração busca esclarecer se empresas dominantes do setor de carne bovina atuaram de forma coordenada para manipular preços, restringir a oferta e prejudicar produtores e consumidores.

Segundo o DOJ, já foram analisados mais de 3 milhões de documentos, além de depoimentos de agentes da cadeia produtiva, incluindo pecuaristas e distribuidores. A diligência antitruste envolve os quatro maiores processadores de carne bovina do país — JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef — responsáveis por cerca de 85% do mercado americano. Em 1977, os maiores frigoríficos controlavam cerca de 25% do mercado; hoje, esse número mais que triplicou.

O setor já enfrenta um histórico de processos judiciais em solo americano. Empresas do chamado “Big Four” foram alvo de ações movidas por grandes compradores, como redes varejistas e empresas de alimentos, que alegam fixação de preços e restrição de oferta. Em 2025, a JBS concordou em pagar US$ 83,5 milhões para encerrar uma disputa judicial relacionada a alegações de manipulação de preços, sem admitir culpa.

Em comunicações institucionais, o governo americano tem reforçado o tom de vigilância. Em uma dessas manifestações, uma porta-voz da Casa Branca afirmou que o governo está “comprometido em garantir mercados justos e competitivos, especialmente em setores críticos como o de alimentos”, acrescentando que “qualquer indício de manipulação ou conduta anticompetitiva será investigado com rigor”.

O avanço das investigações ocorre em meio a uma escalada nos preços da carne bovina no país, que atingiram, nos últimos meses, níveis próximos de recordes históricos. Autoridades do governo associam o fenômeno a uma combinação de fatores, como redução do rebanho, eventos climáticos extremos e fechamento de plantas frigoríficas, mas não descartam possível manipulação de mercado.

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